Seus longos cabelos negros caíam como uma cascata pelos ombros, exalando um perfume hipnotizante. Alguns fios soltos roçavam de vez em quando no braço dele.
Benício pensou consigo mesmo: que mulher absurdamente deslumbrante. Nem dez Natálias juntas chegariam aos pés dela. Não era de se admirar que tivesse deixado Alípio completamente fascinado.
Com uma ideia em mente, Benício imediatamente levou a mão ao peito, apertando os olhos numa expressão de pura dor.
Percebendo a mudança drástica, Ema perguntou, preocupada:
— Sr. Sousa, o que houve?
Fingindo fraqueza, ele arfou:
— Eu... não estou me sentindo muito bem. Tem um peso estranho no meu peito.
César sugeriu na hora:
— Será que você levou alguma pancada durante a briga? É melhor irmos ao hospital dar uma olhada!
Ao ouvir isso, Zenobia também concordou:
— É, vamos agora. Lesão interna não é brincadeira.
— Tudo bem... — Benício forçou uma voz sofrida.
O grupo saiu apressadamente do bar, entrou no carro de Ema e seguiu direto para a emergência.
Durante todo o trajeto, Benício manteve os olhos fechados e a testa franzida, soltando gemidos constantes de desconforto.
Assim que chegaram ao hospital, desceram rapidamente. César serviu de apoio para Benício, enquanto Ema e Zenobia corriam à frente, abrindo caminho até o pronto-socorro.
A emergência estava um caos, com médicos e enfermeiros cruzando os corredores freneticamente.
Ema explicou a situação a uma enfermeira num fôlego só, e logo providenciaram uma cadeira de rodas para Benício.
Um médico se aproximou para fazer algumas perguntas básicas e o encaminhou para uma série de exames.
Enquanto esperavam os resultados, Benício olhou para o grupo e disse, com falso constrangimento:
— Sinto muito, já no meio da madrugada... vocês podem ir para casa. Eu chamo alguém da minha família para ficar comigo.

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