Um instante depois, Alípio perguntou em voz suave:
— Como está a recuperação do seu corpo?
— Bem... bem melhor. — Enquanto falava, o olhar de Ema recaiu sobre o braço dele, ainda envolto em ataduras, e ela não pôde evitar imaginar a cena em que ele se cortava para alimentá-la com o próprio sangue e mantê-la viva.
Ema mordeu o lábio inferior:
— O seu... braço ainda dói?
Alípio não deu importância e respondeu:
— Meu braço não é nada, não se preocupe. Você, sim, deve cuidar bem da sua saúde.
Ema virou o rosto, sem coragem de encarar aquele olhar ardente, enquanto seu coração mergulhava num turbilhão de sentimentos.
No entanto, essa confusão de pensamentos a fez se lembrar daquela mulher que havia ido ao estúdio naquele dia.
Alípio não tinha mencionado nada sobre isso, não lhe contara o motivo de ter almoçado a sós com ela...
A atmosfera no quarto ficou sutil, e o silêncio se espalhou entre os dois.
Alípio respirou fundo, tentando quebrar aquela quietude constrangedora:
— Ema, eu...
Mas as palavras pararam na ponta da língua, sem saber como continuar. Por dentro, ele estava consumido pela indecisão; queria confessar seus sentimentos, mas tinha medo de pressioná-la.
O coração de Ema também acelerou de forma inexplicável. Ela conseguia sentir a emoção reprimida de Alípio, então se apressou em dizer:
— Já está tarde. Você deveria ir para casa.
Ao ouvir isso, o corpo de Alípio enrijeceu ligeiramente, e seus olhos não conseguiram esconder a relutância e a decepção.
Ainda assim, ele sustentou o olhar no rosto dela por mais alguns segundos. Reprimindo a tristeza no peito, forçou um pequeno sorriso:

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