Emerson fez uma pausa e continuou:
— Depois que ela entrou no grupo, para evitar fofocas, fiz com que começasse de baixo. Ela se esforçou bastante, nunca se achou superior a ninguém e levava o trabalho a sério. Eu a ajudei a subir de cargo, mas o meu objetivo era...
Ao dizer isso, Emerson soltou um suspiro pesado:
— Ema, dentro do grupo não sou só eu quem manda. Sou o filho mais velho e sempre tive mais capacidade do que os meus irmãos, por isso tenho cinquenta e cinco por cento das ações. Embora eu tenha poder de decisão, para manter a harmonia, muitas questões importantes precisam ser discutidas no conselho. Lá estão o seu tio Roberto, o tio Carlos, a tia Beatriz e também o seu avô. Além disso...
Emerson observava a expressão de Ema com o coração apertado. Vendo que ela não mudara o semblante, continuou:
— Além disso, Amanda tem três por cento das ações. Na época, se o seu irmão quisesse entrar no grupo, a nossa família teria garantido pelo menos sessenta e cinco por cento. Mas, como ele não quis, precisei apoiar a entrada da Amanda na administração para assegurar esses três por cento. Você consegue entender a complexidade disso?
Ao ouvir até ali, Ema entendeu mais ou menos o que Emerson queria dizer: o grupo inteiro pertencia à família Amorim.
A família deles detinha a maior parte. Se Emerson não tivesse colocado Amanda ali antes, os outros tios e tias também teriam colocado os próprios filhos. Assim, Emerson teria perdido influência.
Embora Ema não entendesse muito das disputas de interesse de famílias ricas, pelo tom de voz e pelas palavras de Emerson, ela captou a ideia geral.
Os irmãos de famílias abastadas provavelmente eram bem diferentes das famílias comuns que ela conhecera ao longo da vida.
As palavras de Emerson pareciam carregadas de subentendidos. Ema franziu a testa e respondeu com suavidade:
— Pai, eu entendo. Pode continuar.
Emerson assentiu:


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