Com o som de uma tosse, acompanhado pelo tremor do lençol, todos instintivamente deram vários passos para trás. Logo depois, um dos médicos criou coragem para puxá-lo.
Quando retirou o lençol com as mãos ligeiramente trêmulas, Alípio estava na cama de olhos fechados, com as sobrancelhas franzidas, ainda tossindo fracamente.
Naquele momento, enquanto Ema e as outras ainda estavam atônitas, Marcos correu para a cabeceira e disse com a voz embargada:
— Sr. Salazar, o senhor acordou? O senhor realmente acordou?
Assim que terminou de falar, virou-se rapidamente para o médico:
— O que o senhor está esperando? Ligue os aparelhos e examine-o agora!
— Ah... sim, claro, claro... — o médico engoliu em seco, operou os aparelhos, verificou as pupilas de Alípio e, após uma série de procedimentos, informou: — Ele saiu do perigo, saiu do perigo. O paciente recuperou os batimentos cardíacos, e as funções do organismo voltaram ao normal.
Depois de falar, não deixou de balançar a cabeça e suspirar:
— Em mais de dez anos de profissão, é a primeira vez que vejo um milagre assim.
Ema lançou um olhar incrédulo a todos e arrastou os passos pesados até a cama.
O médico atrás dela voltou a falar:
— Sra. Pacheco, não é? Seu marido provavelmente ouviu o seu choro desesperado e não conseguiu ir embora. Já houve casos de pacientes em estado vegetativo que despertaram por causa do choro de alguém...
O médico ainda queria dizer mais alguma coisa, mas, ao ver o olhar frio e severo de Marcos, mudou logo de assunto:
— Bom, o paciente está fora de perigo. Ele deve acordar de vez daqui a pouco. Fiquem aqui com ele.
Dito isso, saiu do quarto acompanhado pelos outros médicos e enfermeiras.
Marcos também fez sinal para Zenóbia e Hortênsia, indicando que elas deviam sair.
No quarto do hospital, restaram apenas Alípio e Ema.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Acusada de Traição, Volto com Três Filhos