Ema não conseguia acreditar que Alípio realmente tivesse partido.
Cenas do passado começaram a girar em sua mente. E, para a própria surpresa, tudo o que ela lembrava eram os momentos mais recentes, todas as vezes em que ele tinha sido bom para ela.
Lembrou também dos últimos dias, de como ele havia arriscado a própria vida para salvá-la, de como, naquele espaço pequeno e escuro, deixara a maior parte da água e da comida para ela, consolando-a sem parar e servindo como seu único apoio emocional...
Marcos olhou para Ema, que chorava copiosamente, aproximou-se para ajudá-la a se sentar numa cadeira e foi direto ao ponto:
— Sra. Pacheco, a senhora e o Sr. Salazar não são parentes nem amigos. Não é apropriado que a senhora chore por ele dessa maneira.
Ao ouvir isso, Zenóbia ficou irritada na mesma hora:
— Escuta aqui, Marcos, você sempre pareceu ser um diplomata no dia a dia. Que absurdo é esse que você está falando agora?
Marcos abaixou a cabeça e respondeu:
— Sra. Duarte, eu só estou dizendo a verdade. É melhor vocês levarem a Sra. Pacheco para fora do quarto. A funerária vai chegar em breve.
Assim que Marcos terminou de falar, Ema tornou a se levantar e tentou correr para a cama, mas foi bloqueada pelos vários médicos que estavam de pé ao redor. Um deles disse:
— Senhorita, ele já se foi. Meus sentimentos. Tente se acalmar.
— Saiam! Saiam da frente! — Ema chorava enquanto tentava empurrá-los, mas eles permaneceram firmes, imóveis como uma barreira.
Vendo a situação, Zenóbia e Hortênsia correram até ela. Zenóbia tentou fazê-la desistir:
— Ema, ele já se foi. Não faz isso com você mesma...
— Impossível! Quando eu vim aqui antes, ele ainda estava quente, ainda estava respirando. Ele só estava dormindo — Ema respondia às palavras de Zenóbia enquanto continuava tentando empurrar os médicos, desesperada.
Nesse momento, Marcos se aproximou de novo e disse:

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