Glória arregalou os olhos furiosos e gritou com os dentes cerrados. Sua expressão era tão assustadora que apavorava qualquer um.
Logo em seguida, como se tivesse enlouquecido de vez, tentou avançar outra vez em direção à cama. Givaldo, percebendo o perigo, a segurou pela cintura. No entanto, ela se debatia freneticamente, chutando o ar e estapeando Givaldo com toda a força.
— Ema! Foi você que bebeu todo o sangue do meu filho, por isso ele não consegue acordar! Como é que você pode estar aí, viva e bem? Por que não foi você que morreu? Você! Meu pobre filho, meu menino!
Glória berrava com toda a força dos pulmões, e cada palavra vinha carregada de ressentimento e de uma dor indescritível.
As lágrimas escorriam sem parar. A garganta já estava rouca, mas ela continuava gritando e chorando sem interrupção.
De repente, Glória começou a bater no próprio peito em desespero, como se quisesse arrancar para fora toda a dor que consumia seu coração.
O choro foi ficando cada vez mais agudo, e o corpo dela tremia sem controle, tomado pela tristeza e pela fúria.
Pouco depois, o olhar começou a ficar perdido. Ela murmurava coisas incompreensíveis, a voz diminuindo aos poucos, até que, por fim, seu corpo cedeu e ela desmaiou nos braços de Givaldo.
Ao vê-la perder a consciência, Givaldo rapidamente a pegou no colo e saiu correndo para procurar um médico.
Assim que chegaram à porta, Ricardo, que vinha logo atrás, lançou um olhar frio e cortante para as pessoas dentro do quarto antes de apressar o passo para seguir Givaldo.
Dentro do quarto do hospital, o silêncio era absoluto. Todos os olhares se voltaram para Ema.
O rosto dela tinha ficado completamente pálido, sem a menor cor.
Seus lábios tremiam de leve, e ela balançava a cabeça de um lado para o outro de forma mecânica, murmurando sem parar:
— Impossível... isso é impossível...
As lágrimas logo transbordaram. As mãos agarraram a própria roupa com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos, e o corpo começou a tremer sem controle.
Depois de um longo momento, Ema olhou atônita para Zenóbia, sentada ao lado dela. Com os lábios trêmulos, fez um esforço enorme para conseguir falar:


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