Ainda assim, Alípio desconfiou do que ela dizia. Quem faria uma viagem internacional para procurar alguém sem ter uma informação concreta? Além disso, aquelas três regiões estavam cheias de brasileiros. Por onde ela começaria a procurar?
Mas ele guardou as dúvidas para si e apenas assentiu:
— Pega sua bolsa. Eu dirijo para você. Como já está tarde, vamos começar pelo Arara Azul, que é mais perto. Amanhã eu te levo aos outros dois.
O carro seguiu suavemente pelo trajeto. Ema observava tudo pela janela e, quando viu um bairro que parecia promissor, pediu para descer e caminhar um pouco.
Alípio ficou o tempo todo andando ao lado dela.
Para tornar a história mais convincente, toda vez que passavam por uma lojinha de conveniência, Ema entrava e perguntava se alguém conhecia uma tal de Raíssa Sampaio — um nome inventado na hora.
Só depois de explorar toda a área comercial do bairro os dois voltaram à mansão.
No jantar, Alípio preparou outra mesa farta. Ema comeu em silêncio, fez sua higiene e se trancou no quarto, virando a chave por dentro.
Ela nem se preocupou com a louça do almoço, que foi lavada por ele; e o mesmo aconteceu com a do jantar.
Pouco depois de entrar no quarto, Ema ouviu batidas na porta.
— Ema, esquentei um copo de leite pra você. Abre a porta.
Na mesma hora, um sinal de alerta soou na cabeça de Ema. Havia muito tempo ela já não conseguia entender os rompantes de loucura dele. Àquela hora da noite, se abrisse a porta e ele resolvesse entrar e não sair mais...
Ema recusou secamente:
— Já me deitei. Não vou beber.
O corredor mergulhou em silêncio, mas alguns instantes depois Alípio voltou a falar do lado de fora:
— Ema, eu preciso falar com você.
Ema revirou os olhos. Aquilo era só uma desculpa para forçar a entrada?


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