As pessoas que passavam pelo parque fazendo caminhada matinal a trouxeram de volta à realidade. Ela olhou rapidamente as horas: já eram 7h30.
Ema ligou para Selena e soube que elas estavam dando café da manhã às crianças e que logo as levariam para a escolinha.
Selena perguntou por que ela tinha saído tão cedo, e Ema só conseguiu responder de forma vaga, dizendo que tinha umas coisas para resolver.
Depois de desligar, Ema voltou a se sentar no banco, com o olhar perdido.
Tudo tinha acontecido rápido demais; ela simplesmente não conseguia aceitar.
Ao se lembrar daquelas marcas no corpo dele, ela quase...
Nesse momento, o celular de Ema tocou. Era Zenóbia.
Ema respirou fundo algumas vezes e deslizou o dedo para atender. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, a voz ansiosa de Zenóbia ecoou do outro lado da linha:
— Ema, você está bem depois de ontem? Eu bebi até apagar e só acordei agora. Fui perguntar ao César, e ele disse que você ficou bêbada e ligou para o Alípio ir te buscar. Ele fez alguma coisa com você?
Ema ficou em silêncio.
Até o assistente de Zenóbia dizia que tinha sido ela quem ligou?
E o registro da chamada também estava lá... Como ela podia ter feito aquilo?
Será que era verdade o que diziam por aí: quando a pessoa guarda alguém no fundo do coração e não quer admitir, depois de beber o subconsciente vai atrás dessa pessoa?
Impossível. Absolutamente impossível.
Ema apertou o celular com nervosismo, ajustou o tom de voz e respondeu:
— Zenóbia... eu estou bem, eu...
— Ema! — Zenóbia elevou a voz. — Vocês dois? Vocês... ontem à noite... Ai, a culpa é toda minha, Ema. Fui eu que te prejudiquei.
Ema pensou em contar toda a verdade sobre a noite anterior, mas, ouvindo a culpa e a tristeza na voz da amiga, apressou-se em completar:
— Não, Zenóbia. Você está imaginando coisas. Não aconteceu nada.


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