Ao ouvir isso, Ema sentiu um frio na barriga. Olhando para aquelas marcas no corpo dele, ela mal ousava imaginar o quão insana devia ter ficado depois de beber. A vergonha era esmagadora.
Mas ela se forçou a se recompor e o repreendeu, indignada:
— Para de inventar história para fugir da culpa. Você é homem. Se não quisesse... o que... o que eu poderia fazer com você?
Alípio estreitou levemente os olhos, baixou devagar o olhar para a própria clavícula e depois voltou a encará-la, num tom enigmático:
— O que você poderia fazer comigo? Essas marcas absurdas no meu corpo são a melhor prova.
— Não... impossível. — Ema puxou o edredom para cima do rosto e gritou, abafada pelas cobertas: — Veste a sua roupa e vai embora logo! Nunca mais quero olhar para a sua cara!
Alípio conteve o riso e respondeu com seriedade:
— Ema, você está se fazendo de desentendida. Você tem que assumir a responsabilidade por mim.
— Eu... eu bebi demais, não me lembro de nada. Essas marcas no seu corpo foram feitas por outra mulher, e agora você quer jogar a culpa em mim. Você se aproveitou de que eu estava bêbada e fez... fez esse tipo de coisa comigo.
Ema continuava escondida debaixo do edredom, falando como se estivesse cheia de razão, mas por dentro estava em completo pânico.
Já Alípio se deitou devagar sobre as cobertas e falou com suavidade:
— Falando assim, você parece mesmo uma canalha que parte corações. Vai me abandonar? Então não me resta escolha a não ser relatar, tintim por tintim, tudo o que aconteceu ontem à noite.
Ema continuou encolhida debaixo das cobertas, quase sem ousar respirar, e não o impediu. Ela queria ouvir o que ele diria. Era impossível que tivesse tomado a iniciativa de ficar com ele. Simplesmente impossível.
Logo, a voz magnética de Alípio soou do lado de fora do edredom:
— Você bebeu demais e me ligou, dizendo que estava com saudade, então eu vim. Mas você estava vomitando muito, então só pude te trazer para a área dos quartos, esperando que melhorasse para depois te levar para casa.
Alípio fez uma pausa e continuou:
— Você viu as roupas no banheiro? Não foram só as suas que sujaram; eu também fiquei todo vomitado. Então tive que te limpar. Enquanto eu pegava a toalha para te enxugar, você começou a tirar a roupa. Tentei te impedir, mas não consegui; você tirou tudo...
— Para de falar! — gritou Ema.
No entanto, o sorriso no rosto de Alípio só aumentou. Como se não tivesse ouvido o grito dela, prosseguiu:
— Eu tentei te segurar de todo jeito, mas você estava forte demais... Eu nem sabia que você era tão forte. Tive que te dar um banho rápido e te carregar para a cama. E aí você começou a me beijar...
— Para de falar!!! — Ema gritou de novo.
Mesmo assim, Alípio continuou, sem a menor vergonha:
— Agora eu entendo o que falam sobre o fogo de uma mulher. É realmente assustador. Pensa bem: como eu, um homem cheio de vigor, ia conseguir me segurar? Mas...
Ao dizer isso, ele se apoiou no edredom e, em voz baixa e rouca, sussurrou suavemente:
— Você estava tão apaixonada ontem à noite... estava linda, muito sedutora. Eu adorei. Só que me deixou acabado. Estou destruído.
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