As mãos dela agarravam os lençóis com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos, deixando evidente a tensão em seu corpo.
Alípio franziu a testa, inclinando-se para perto a fim de entender o que ela dizia.
Ao ouvir, memórias do passado vieram à tona. O que Ema murmurava eram as mesmas frases que costumava dizer durante antigos pesadelos.
Antes, ele interpretava aquele “Não vá, não me abandone” como se fosse dirigido a outro homem. Mas agora, sabendo de tudo, Alípio tinha certeza de que aquele trauma era fruto de algum choque muito grande que ela tinha sofrido.
Ele queria deitar ao lado dela para lhe passar alguma sensação de segurança, mas...
Alípio hesitou ao lado da cama. As roupas dele estavam todas sujas de vômito. Ele estava apenas com uma toalha amarrada à cintura, enquanto Ema, debaixo das cobertas... não vestia absolutamente nada.
Mas a expressão dela, somada ao álcool ainda queimando por dentro, a deixava com um ar de sofrimento intenso.
O coração de Alípio se apertou. Depois de hesitar por alguns segundos, ele se deitou ao lado dela. Apoiado de lado, passou um braço forte ao redor do corpo frágil e a abraçou com delicadeza.
A única precaução foi puxar uma parte do edredom para criar uma barreira entre os dois, reduzindo ao máximo o contato direto.
Mas, assim que ele a envolveu, foi como se Ema tivesse encontrado um abrigo seguro. Buscando instintivamente proteção, ela se mexeu e se aninhou em seu peito como um gatinho carente.
Embora a testa dela ainda estivesse franzida, a expressão de terror se suavizou.
Incapaz de resistir, Alípio sussurrou, em voz rouca e baixa:
— Me diz... quem é que você não quer que vá embora?
Ema balbuciou alguma coisa em resposta, mas foi impossível entender.
Sem outra alternativa, Alípio apenas acariciou as costas dela com suavidade, sem dizer mais nada. A ideia era ajudá-la a se sentir segura para conseguir dormir melhor.

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