Ele não exigiu, não brigou, não a forçou a nada, tudo isso só para que ela entregasse as crianças de livre e espontânea vontade.
Ema teve vontade de pisar fundo no acelerador para despistá-lo, mas, pensando na segurança dos filhos, se conteve.
Assim que chegou à garagem do condomínio e estacionou o carro, desceu depressa e abriu a porta de trás.
Colocou Érica, que estava sentada perto da porta, no chão, e depois se virou para soltar o cinto dos outros dois.
Mal tinha terminado de desafivelá-los e se preparava para pegá-los, o som estridente de uma freada brusca ecoou logo atrás dela.
Em pânico, Ema percebeu que Érica, que um instante antes estava no chão, havia desaparecido. Seu coração quase parou.
— Voltem para o carro!
Ema gritou para os dois meninos e correu, como uma louca, em direção à frente do carro parado na rampa.
Lá estava Alípio se levantando do chão com Érica nos braços, enquanto o motorista de outro carro saía às pressas, curvando-se para pedir desculpas.
— Mamãe, mamãe! — Érica chorava aos berros.
Ema voou até eles e arrancou a menina dos braços de Alípio, examinando-a da cabeça aos pés para se certificar de que ela não estava ferida.
— Ela está bem, não se preocupe. — Alípio murmurou com dificuldade, franzindo as sobrancelhas de dor.
— Mamãe, o papai se machucou. — Érica enxugou as lágrimas, apontando para Alípio.
Ema lançou um olhar rápido para ele. O rosto estava coberto de suor, aparentemente por causa da dor.
Mas, em vez de demonstrar preocupação, ela o questionou friamente:
— Você estava parado do outro lado da rampa. Ela te viu e correu na sua direção, foi isso?
Alípio franziu a testa, mas, antes que pudesse responder, Érica soluçou e interrompeu:
— Não, mamãe. Minha bolinha rolou, e eu fui pegar. O papai me salvou. Me desculpa, mamãe...
Depois de falar, a menininha abaixou a cabeça, mas lançou a Alípio um olhar ainda úmido de lágrimas e piscou discretamente para ele.
Alípio esfregou o braço dolorido, lutando para conter o sorriso que ameaçava surgir em seus lábios. A pequena era esperta demais, sabia até que precisava ajudá-lo.



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