Durante quase toda a manhã e o início da tarde, Ema e Hortensia Queiroz ficaram ocupadas lidando com aquele caos.
Por volta das três da tarde, uma inquietação tomou conta de Ema.
Ela temia que Alípio já tivesse contado aos pais e ao avô em que escola as crianças estudavam. E, mesmo que não tivesse contado, eles poderiam descobrir por conta própria.
Ema deu algumas instruções a Hortensia e seguiu de carro para a escola, planejando buscar as crianças mais cedo, antes do horário de saída.
Mas, para azar dela, mesmo saindo com quase uma hora de antecedência, houve um engavetamento na via, e o trânsito ficou infernal.
Quando finalmente chegou à escola, estacionou e desceu do carro o mais rápido que pôde.
Correu até o portão de ferro e procurou a placa da fila da turma dos filhos.
Quando a encontrou, olhou para a fila, mas não viu nenhum dos três.
Ema perguntou apressada:
— Sr. Tavares, boa tarde. Onde estão Dário, Érica e Kleber?
— Sra. Pacheco? A senhora chegou? — disse o Sr. Tavares, sorrindo. — A avó deles veio buscá-los. Nossa, nunca imaginamos que a senhora fosse a Sra. Salazar. Sempre achamos que fosse da família Amorim.
Ao ouvir aquilo, o rosto de Ema fechou na mesma hora. Sem tempo para conversa fiada, ela elevou a voz e o repreendeu:
— Que tipo de professor é o senhor? Por que entregou meus filhos a outra pessoa sem autorização?
— Bem... — O sorriso do Sr. Tavares desapareceu imediatamente. — Eu vi a transmissão ao vivo, e os seus sogros sempre aparecem nas notícias. Nós os reconhecemos, então...
— Reconhecer não basta! A escola não tem regras? Além disso, para retirar a criança, não precisa do cartão de autorização? Se ela não tinha a autorização, por que vocês entregaram meus filhos a ela?
Os pais ao redor, que ainda não tinham ido embora, concordaram:
— Exatamente. A escola não pode ignorar as próprias regras desse jeito.



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