Naquela noite.
Como havia prometido, Alípio não arredou o pé. Fez questão de contar histórias para as crianças dormirem e, depois que os pequenos pegaram no sono, instalou-se na sala mexendo no celular.
Vendo-o tão à vontade, Ema disse em voz baixa para Selena:
— Você e a Selina podem ir tomar banho e dormir. Ele vai ficar só mais um pouco e logo vai embora.
Ela disse aquilo justamente para não lhe dar a chance de pedir que Selena arrumasse o quarto de hóspedes.
Pouco depois, soou o bipe da fechadura eletrônica.
Em pé no fundo da sala, Ema viu Alípio lhe lançar um olhar rápido antes de caminhar apressado para a entrada.
Em seguida, viu Givaldo Amorim passar pela porta e entrar no hall.
Alípio foi atrás dele, de expressão fechada, e perguntou friamente:
— O que você está fazendo aqui a essa hora? E como sabe a senha da porta da Ema?
Givaldo se jogou no sofá, com um sorriso presunçoso no rosto.
— Você esqueceu quem eu sou? Nós somos família. Acha estranho eu ter a senha?
Alípio lançou-lhe um olhar de desprezo e, em seguida, virou-se para Ema.
Ema não conseguiu evitar um sorriso provocador.
Só então Alípio percebeu que fora Ema quem chamara Givaldo. Já que ele não ia embora, ela tinha chamado o irmão para lidar com ele.
Alípio sentou-se ao lado de Givaldo e disse num tom tão baixo que Ema não pudesse ouvir:
— Eu sugiro que você vá embora o quanto antes.
Givaldo ergueu uma sobrancelha.
— A Ema é solteira, e a família sempre vai ser o porto seguro dela. Então esta casa também é minha. Você, como ex-marido, querer me expulsar da casa da minha própria irmã... é um pouco ridículo, não acha?
Alípio fechou os olhos, já perdendo a paciência. No segundo seguinte, agarrou Givaldo pelo colarinho.
— Levanta. Vem comigo para a varanda.

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