Depois de pensar por um momento, Ema chamou as crianças em tom severo.
Sem entender por que a voz da mãe havia ficado tão dura de repente, os três se soltaram do abraço de Alípio e correram de volta para o lado dela.
Ema se agachou devagar e explicou num tom gentil:
— O Sr. Salazar veio só buscar alguns documentos de trabalho. Ele ainda precisa voltar para o escritório e fazer hora extra. Se vocês ficarem prendendo ele aqui para brincar, vão atrapalhar o trabalho dele.
A decepção apareceu imediatamente no rosto das três crianças.
Ema acreditou que Alípio entenderia o recado e iria embora na mesma hora.
Mas ele não foi. Em vez disso, caminhou até eles, sentou-se no sofá e sorriu para as crianças.
— A mãe de vocês tem razão. Mas esse meu trabalho pode esperar um pouco. Eu posso brincar com vocês por meia hora. Que tal?
— Eba! — gritaram os três em uníssono, aplaudindo animados.
Num ângulo que as crianças não podiam ver, Ema lançou um olhar fulminante para Alípio e, bufando de raiva, voltou para o escritório.
Selena e Selina não demoraram a voltar das compras. Ao entrarem, não viram Ema na sala, apenas as crianças se divertindo com Alípio. Logo imaginaram que Ema o havia convidado para jantar.
Selena perguntou:
— Eu não sei exatamente o que o Sr. Salazar gosta de comer, mas a geladeira está cheia. Se o senhor me disser, eu e a Selina podemos preparar o jantar.
Alípio respondeu casualmente:
— Eu como o mesmo que a patroa de vocês.
— Sim, senhor.
No exato momento em que a meia hora prometida por ele se esgotou, Ema saiu do cômodo e ouviu aquela conversa.
Ela interferiu na hora:
— Selena, Selina, não precisam preparar jantar para ele. Ele já vai sair para trabalhar.
Selena estava prestes a concordar, mas Alípio a interrompeu imediatamente:
— Adiei o trabalho. Estou com a noite livre.

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