Em casa, não eram apenas seus pais que o esperavam. Seu avô, Diogo Salazar, também tinha retornado.
Alípio sentou-se diretamente no sofá à frente deles. Ao notar a expressão sombria no rosto de cada um, não demonstrou surpresa.
Antes de iniciar a transmissão ao vivo naquele dia, ele já havia previsto o que enfrentaria depois.
Conseguia até imaginar com bastante precisão o nível de fúria estampado no rosto de cada um ali.
— Levante-se! Quem te deu permissão para sentar? Você ainda tem a cara de pau de se sentar?! — Diogo repreendeu severamente, batendo a bengala com força no chão.
Alípio apertou os lábios e se levantou do sofá:
— Vô, não fique nervoso, ou vai acabar prejudicando a sua saúde.
Diogo continuou a bronca:
— Então você ainda sabe se preocupar com a saúde do seu avô?! Seu moleque insolente, isso é praticamente uma rebelião!
Alípio pigarreou e brincou:
— Vô, me xingando desse jeito, o senhor não está xingando a própria linhagem?
— Ah, seu moleque atrevido, veja se eu não quebro as suas pernas! — Dito isso, Diogo levantou a mão e deu um tapa na direção das nádegas de Alípio.
Alípio não se mexeu, deixando que o avô o acertasse.
Mas, no segundo seguinte, Glória começou a soluçar, e o som do choro ecoou pela sala inteira.
Diogo também parou de bater e xingar, soltando um suspiro pesado. Alípio apressou-se em ajudá-lo a se sentar, mas foi afastado bruscamente pelo avô, que lhe lançou um olhar cortante.
Glória, enxugando as lágrimas, lamentou:
— Eu não sei que pecado cometi para ter um filho tão desobediente. Tenho dois netos e uma neta que já estão até na creche, e eu sequer os conheci pessoalmente.


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