Amanda pegou a boneca a contragosto, cheirou-a, observou-a por um momento e disse:
— Essa substância que parece sangue deve ser tinta de desenho, e esse bicho de pelúcia não parece comprado em loja. A qualidade disso é pior do que a daquelas bonecas que você pegava para mim nas máquinas.
Depois disso, jogou a boneca de volta na caixa. Givaldo, visivelmente aliviado, falou em tom brando:
— Tudo bem, vou perguntar a outras pessoas. Amanda, não fica tão triste. Tenho outros assuntos importantes para resolver. Se precisar de qualquer coisa, chama a governanta. À noite eu volto para jantar com você.
— Daqui a pouco eu vou arrumar minhas coisas e ir embora. — A voz embargada de Amanda soou assim que Givaldo se virou.
Ele parou, voltou-se para ela e disse com um tom profundo e sincero:
— Amanda, eu sei que é difícil aceitar a realidade de uma hora para outra, mas, por outro lado, o que poderia ser mais feliz nesta vida do que reencontrar a própria família de sangue?
— Feliz? — Amanda soltou uma risada fria. — Se fosse com você, você estaria feliz?
Givaldo assentiu:
— Sim. Se fosse comigo, eu ficaria muito feliz. Os pais biológicos são a coisa mais importante. Descobrir a verdade e poder voltar para eles seria motivo de gratidão para mim.
O rosto de Amanda se fechou ainda mais, e ela rebateu com aspereza:
— Você só consegue falar em “felicidade” porque isso não aconteceu com você. É fácil falar quando não é o seu na reta. Aquela mulher chamada Ema está feliz porque está prestes a entrar numa família rica. E eu? Eu vou sair daqui para voltar para a família Ribeiro. E o que a família Ribeiro tem? Você sabia que o patrimônio deles já foi quase todo desperdiçado por aquela outra filha trocada?
Ao ver que ela estava cheia de hostilidade, Givaldo não pôde deixar de aconselhá-la:


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