Hortensia acrescentou:
— Ema, se você não está segura, seria melhor avisar o Sr. Salazar, não acha?
Ema refletiu por um instante e disse, distraída:
— É, eu não quero ir, nem tenho motivo para vê-la.
Com isso, Ema procurou o histórico de ligações de Alípio e enviou-lhe uma mensagem:
— Sua mãe quer me encontrar, mas eu não quero vê-la. E, Alípio, já disse isso mil vezes: não vou reatar com você, então pare de perder seu tempo.
Assim que a mensagem foi enviada, o telefone tocou. Era Alípio.
Ema simplesmente rejeitou a chamada. Ele ligou de novo, e ela recusou novamente. Em seguida, chegou uma mensagem dele:
— Minha mãe provavelmente só está com saudades de você, não pense demais. Se não quiser ir, não vá. Eu converso com ela.
Ema: ...
Esse cafajeste é mesmo liso como uma enguia.
Saudades pelo tom de voz dela? Estava na cara que ela queria arrumar confusão.
Ema resmungou consigo mesma e voltou ao trabalho.
Por volta de uma da tarde, Ema e Hortensia estavam no escritório comendo suas marmitas quando a porta de vidro foi empurrada abruptamente.
Ema levantou os olhos. O pedaço de brócolis que estava em sua boca caiu no prato, tamanho foi o espanto.
Era a mãe de Alípio, Glória Moreira.
Ela vestia um elegante vestido de seda em um tom de verde retrô. O cabelo estava preso em um coque impecável, enfeitado por um prendedor sofisticado com pedras, cujo pingente balançava levemente. Toda a sua postura exalava uma aura de extrema riqueza e sofisticação.
Embora já beirasse os sessenta anos, seu porte físico e sua pele estavam incrivelmente bem conservados. No entanto, havia entre suas sobrancelhas um ar de severidade e descontentamento, como se ocultasse uma tempestade pronta para desabar a qualquer momento.

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