Ema parou, franziu as sobrancelhas e disse:
— Sr. Salazar, você deveria ir embora.
Alípio, com uma expressão serena, respondeu:
— Vou esperar você terminar, te pagar um jantar. Temos coisas para conversar.
Naquele momento, Ema não tinha tempo para lidar com ele. Lançou-lhe um olhar indiferente, pegou Hortensia pelo braço e saiu do escritório.
Porém, antes mesmo de chegarem à recepção, ouviram confusão e choros.
A recepcionista Silvana correu ao encontro de Ema e relatou, com o rosto tomado pela aflição:
— Sra. Pacheco, agora mesmo, quando a Cacá estava indo do seu escritório para a sala de descanso, ela deu de cara com a Sra. Tavares saindo da sala de reuniões. A mulher agarrou a Cacá e não quis soltar, insistindo que tinha sido ela quem roubou o relógio, e ainda... e ainda deu um tapa na cara dela.
Ema assentiu. Sua expressão ficou instantaneamente muito mais fria, e seus passos se aceleraram.
Ao chegarem à recepção, viram uma mulher elegantemente vestida apontando para Cássia e gritando insultos. Cássia estava de cabeça baixa, apertando a barra da blusa com força, já desfeita em lágrimas.
— Sra. Tavares, certo? Ouvi dizer que a senhora perdeu seu relógio aqui no meu estúdio? — A voz gelada de Ema ecoou pelo salão, carregada de uma presença intimidadora.
Ariadne Tavares, ofegante, parou de ofender Cássia. Virou-se, olhou Ema de cima a baixo com total desdém e disse, com o nariz empinado:
— Ora, então você é a dona deste estúdio? Finalmente resolveu aparecer? Achei que tinha escondido o relógio e não teria coragem de dar as caras!
Ema mantinha a postura ereta e, embora usasse sapatos baixos, ainda era mais alta que Ariadne, que estava de salto.
Ela lançou um olhar gélido sobre Ariadne e, em seguida, observou a pilha de coisas sobre a mesa de centro. Hortensia havia dito que aquilo era o que Ariadne, num acesso de raiva, tinha despejado da própria bolsa.


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