Os dois foram até o fim do corredor no último andar. Ema olhou pela janela e começou a falar com um tom gentil:
— Pode perguntar o que quiser.
Samuel não fez rodeios. Foi direto ao ponto:
— Nesse caso da Zenobia, foi você quem implorou para o Alípio salvá-la, não foi?
Ao ouvir isso, Ema ficou momentaneamente atônita.
Ela achou que Samuel perguntaria sobre Givaldo, ou talvez sobre Henrique, mas jamais imaginou que fosse fazer uma pergunta daquelas.
Ema explicou suavemente:
— Nada disso. Naqueles dias, eu corri de um lado para o outro, assim como você, tentando encontrar uma solução. Além disso, a única pessoa a quem pedi ajuda foi o Henrique. Para ser sincera, nem eu nem você fomos os maiores responsáveis pela libertação da Zenobia; quem mais ajudou nisso foi o Henrique.
— Ema, você não é o tipo de pessoa que mente... Para salvar a Zenobia e pedir ajuda a ele, você chegou a pensar no que ele poderia exigir em troca? Por que você acha que passou todos esses anos se escondendo dele?
Samuel baixou os olhos e encarou Ema, o rosto carregado de seriedade e de um cansaço imenso.
Ema ergueu a cabeça devagar, olhou-o nos olhos e perguntou com firmeza:
— Samuel... você não confia em mim?
Samuel franziu a testa e continuou:
— Depois de tudo isso, faz mesmo diferença eu confiar em você ou não? A Zenobia mal saiu e já foi trabalhar na SambaSky Media, ainda por cima como diretora-geral. E vocês... e você com o Givaldo... por que ele voltou com a ex-namorada? Ema, quantas coisas vocês esconderam de mim?
As palavras de Samuel vinham carregadas de emoção, ou melhor, de uma profunda mágoa.

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