Alípio explicou com a voz suave:
— Não é para interferir, é para cuidar de você. Você está tomando soro, não se exalte.
Ema não respondeu. Ela havia se mexido um pouco antes e as costas de sua mão ainda doíam; ela definitivamente não queria que a agulha deixasse um inchaço e precisasse ser inserida novamente. Como também tinha pavor de agulhas, decidiu tratá-lo como se fosse invisível. Assim que o soro terminasse, ela iria embora.
Ema recostou-se na cabeceira da cama, fechando os olhos para descansar a mente.
Após um longo tempo, Alípio falou lentamente:
— O assunto que não terminamos ontem... deixe-me dizer tudo até o fim, sim?
As sobrancelhas de Ema se moveram levemente, mas ela não abriu os olhos. Apenas disse com frieza:
— Alípio, talvez o que eu disse antes não tenha ficado claro o suficiente. Vou acrescentar mais uma coisa, então preste bem atenção. O passado é o passado. Quer tenha sido um mal-entendido ou um arrependimento, não importa mais. O que importa é que, pelo resto da minha vida, não quero ter nenhum tipo de relação com você. Consegue entender isso?
Depois de dizer essas palavras, Ema não ouviu nenhuma resposta de Alípio.
Ela também não tinha muita certeza. A personalidade de Alípio sempre foi a de alguém que, quando não consegue o que quer, usa todos os meios possíveis para obter.
Se ele não estivesse disposto a desistir, provavelmente não adiantaria nada o que ela dissesse.
Com Alípio, essa tática parecia não funcionar. Ela teria que pensar em outros métodos.
Justo quando Ema estava quebrando a cabeça para pensar em algo, a voz de Alípio soou, rouca e arrastada:
— Não importa o que eu faça, ou o quão bem eu faça, você não quer mais voltar para o meu lado?
Ema apertou os lábios, abriu os olhos e, lançando-lhe um olhar indiferente, respondeu:
— Sim.
Alípio perguntou de forma sombria:
— Então me diga, o que você odeia em mim?
Ema disse sem demonstrar emoção:
— Tentando me fazer falar demais, é? Ódio? Você se superestima. Já ouviu aquele ditado? Não existe amor sem motivo, nem ódio sem motivo. Aos meus olhos, você é apenas um transeunte, um estranho, sem nenhuma conexão comigo.


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