— Quem você vai processar? Quem fez mal a você? O Grupo Salazar tem uma equipe de advogados de elite...
— Eu não preciso, e não tenho obrigação de responder às suas perguntas, Sr. Salazar. Você já devia ter ido. — Ema respondeu friamente.
Pelo visto, a rápida olhada dele não foi suficiente para ver os detalhes, apenas a parte do processo que ocupava mais espaço?
Alípio manteve a postura e continuou:
— Se você não disser... não será nada difícil para mim descobrir.
Ema o interrompeu novamente:
— Alípio, eu não quero levantar a voz para não assustar as crianças, mas tenha noção de limites. Além disso, eu detesto esse seu tom casual carregado de ameaças.
Alípio hesitou por um segundo e, em seguida, levantou-se lentamente da cadeira.
Antes, Ema estava na ponta mais larga da mesa, enquanto Alípio, ao se levantar, ficou na ponta mais longa. Com isso, os dois ficaram a uma distância muito curta, quase frente a frente.
Ao abaixar o olhar para a expressão complexa de Ema, o coração de Alípio se encheu de um aperto doloroso.
Só Deus sabia o quanto ele queria puxá-la e apertá-la em um abraço bem forte...
Ele havia feito de tudo para conseguir entrar naquela casa, apenas para ver de perto como era a vida dela.
Embora a casa não fosse luxuosa como uma mansão, era extremamente organizada, e as crianças eram muito bem-educadas.
Somando isso ao que descobriu em suas investigações, viu o renome que ela construiu na indústria ao longo desses anos com o nome "Vitra"...
No passado, ele só sabia que ela era delicada, tinha um sorriso doce, sabia cuidar de uma casa e adorava fotografia...
Mas não fazia ideia de que ela seria capaz de administrar tudo com tanta excelência, de que tinha tanta capacidade, talento e uma sabedoria tão grande.
Porém, durante todo esse tempo, ela com certeza deve ter engolido muitas dores e exaustões que uma pessoa comum não suportaria...
Os olhos profundos de Alípio percorreram o rosto de Ema; no fundo de seus olhos avermelhados havia uma dor quase raivosa e, enquanto ela falava, os lábios dele tremiam levemente.
Apesar da voz baixa dela, cada palavra era como uma punhalada. Mas ela não estava apenas apunhalando o coração dele, e sim o próprio...
Usando as palavras que ele havia usado para humilhá-la no passado para ironizar a si mesma.
Ao ouvir aquilo, a paciência de Alípio pareceu chegar ao limite. Ele franziu as sobrancelhas e, no segundo seguinte, agarrou o braço da mulher e a puxou para um abraço.
Uma mão envolvia com firmeza as costas frágeis dela, a outra segurava sua nuca.
Ele se curvou, encostando o rosto firmemente atrás da orelha dela.
Ema lutava tentando abafar o som, mas quanto mais se debatia, mais apertado ficava o abraço, como se ele quisesse fundi-la ao próprio corpo.
Sem conseguir suportar mais, Ema virou a cabeça e cravou os dentes no ombro dele...

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