Ema percebeu que as duas estavam um pouco constrangidas ali, então não insistiu. Ela apenas disse para prepararem o que tivessem vontade de comer e voltou para a mesa.
Assim que Ema se sentou, Dário lhe ofereceu um pequeno prato com camarões:
— Mamãe, eu descasquei para você.
Em seguida, Kleber entregou outro pratinho:
— A mamãe trabalhou muito fazendo a comida, então escolhi os pedaços mais macios de aipo para você.
E lá estava Érica, segurando a colher com as mãozinhas, estendendo-a trêmula na direção de Ema:
— Mamãe, coma um bolinho de peixe. Mas não coloque muita pimenta, nesse calor é fácil o corpo inflamar e causar desequilíbrio.
Ema elogiou cada um deles e aceitou a comida que lhe ofereciam.
Enquanto isso, Alípio observava a cena, com um brilho indecifrável no olhar. Ele falou lentamente:
— Eu me lembro que você não comia essas coisas.
Ema não respondeu; já estava saboreando a comida com gosto.
É claro que ele lembrava que ela não gostava. Antigamente, como ele detestava esses pratos, ela costumava dizer que também não gostava...
Hortensia, observando tudo e com medo de que o clima ficasse estranho, sorriu e interveio:
— Sr. Salazar, essas são as comidas favoritas da Ema. Talvez, com o passar do tempo, o senhor tenha se confundido.
Alípio assentiu com a cabeça, sem dizer mais nada.
Os pequenos eram anfitriões muito atenciosos; ora ofereciam algo para ele provar, ora recomendavam outro prato.
E, claro, não perdiam a chance de elogiar as habilidades culinárias da mãe.
Durante todo o jantar, Ema não disse muito mais do que responder às crianças e pedir para Hortensia comer um pouco mais.
Após a refeição, as crianças pediram a Ema que deixasse Alípio ficar mais um pouco, pois faltava pouco para terminarem de montar um Lego que haviam começado antes do jantar.
Ema acabou concordando.
Por causa das crianças e das babás ali perto, Ema não quis levantar muito a voz, mas o repreendeu com evidente irritação:
— Sr. Salazar, você não tem o menor senso de educação.
— Vou sentar só um pouquinho e já vou embora.
Após responder com um tom de voz suave, Alípio caminhou direto para dentro. Enquanto Ema pensava em como expulsá-lo, viu que ele já havia se sentado na cadeira de sua escrivaninha.
Quando percebeu que o olhar dele se dirigia para a tela do computador, Ema sentiu um sobressalto. Ela correu rapidamente e desligou o monitor de supetão.
Tarde demais. Enquanto lia sobre o processo, ela havia diminuído um pouco a janela, que ocupava metade da tela; na outra metade, estavam os dados da Chaim Estética e Cirurgia e de Brenda.
Embora o logotipo e o nome de Brenda não estivessem ampliados, quem batesse o olho com atenção conseguiria ler.
O rosto de Ema se fechou, ganhando um tom afiado. Apontando diretamente para a porta, ela disse:
— Por favor, saia.
Alípio não se moveu. Com a testa franzida em um ar pensativo, os longos dedos batendo de leve na mesa, ele moveu os lábios e perguntou com seriedade:

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