— Eu posso te dar um. Mas você tem que fazer o exame direitinho.
Ema: "......"
— É verdade?
A mão de Ema, que enxugava as lágrimas de Érica, congelou no ar. Os olhos de Érica brilharam, ela olhou para Alípio e perguntou muito seriamente.
— Claro, eu nunca minto. Promessa de mindinho. — Alípio garantiu com um sorriso leve e estendeu o dedo mindinho para Érica.
Os olhos de Érica ainda estavam molhados, mas seu rosto exibia um sorriso de surpresa. Ela prontamente estendeu o seu mindinho também.
E assim, diante dos olhos de Ema, os dois dedos, um grande e um pequeno, se entrelaçaram.
Após o gesto, Érica abriu os braços e abraçou Ema:
— Mamãe, você não ficou triste, não é?
Disfarçando a confusão de sentimentos, Ema abriu um sorriso caloroso e disse:
— A mamãe não ficou triste. Vamos fazer o exame logo?
Só então Érica assentiu. Com a ajuda do médico, deitou-se devagar. Embora seu olhar ainda revelasse certa insegurança, ela parecia muito mais forte.
Ema viu o médico apertar o botão, e Érica foi lentamente deslizada para dentro do aparelho.
Ela se virou rapidamente para um canto vazio da sala e, com a mesma rapidez, limpou uma lágrima que escapou do canto do olho.
Durante todo esse tempo, ela achava que, por as crianças serem tão boazinhas, não se importavam em não ter um pai.
Ela estava errada, completamente errada.
O consolo que a criança mais queria em um momento de pânico, além do abraço da mãe, era o pai escondido no fundo do coração.
Pelas palavras de Érica, Ema também entendeu que, no dia a dia, eles evitavam falar a palavra pai na frente dela com medo de deixá-la triste.
Ao pensar em Érica e que os outros dois filhos provavelmente sentiam o mesmo, o coração de Ema doeu ainda mais...
Chegando a esse ponto dos pensamentos, Ema simplesmente ergueu a mão e, com um tapa, derrubou o lenço da mão dele. Em seguida, sem nem olhar para ele, virou-se e foi para o lado do aparelho.
Alípio ficou olhando atônito para o lenço que caiu no chão. Suas sobrancelhas estavam franzidas e o maxilar tenso.
Nos recentes contatos com Ema, ele vinha recebendo os olhares mais frios e o desprezo que nunca havia sofrido na vida.
Mas agora ele não tinha outra escolha. Lembrou-se de anos atrás, quando Ema foi embora de forma tão decidida e preferiu viver anonimamente a ficar com ele...
Ele queria reconquistá-la, mas no momento a única saída era ter paciência, ir devagar...
Depois de muito tempo, Alípio se abaixou, pegou o lenço, bateu cuidadosamente a poeira, dobrou-o e o guardou no bolso.
Ele não recolheu o lenço por ser muito luxuoso ou caro, mas porque, antigamente, Ema o havia comprado para ele.
De acordo com aquela vez em que Marcos investigou o histórico de compras, aquele lenço havia custado todo o salário que restava a Ema...

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