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Acusada de Traição, Volto com Três Filhos romance Capítulo 372

Na manhã seguinte, Helena chamou Ema e Givaldo para uma nova reunião.

Assim que entraram, perceberam que havia mais tensão no ambiente do que de costume.

A advogada foi direta:

— O juiz designou uma audiência preliminar de conciliação e escuta técnica para a próxima semana.

O coração de Ema apertou de imediato.

— Tão rápido?

Helena assentiu.

— Sim. Isso acontece muito quando há pedido de tutela envolvendo menores. O juízo quer ouvir as partes logo no início e, se possível, avaliar espaço para uma composição mínima.

Givaldo fechou a cara.

— Composição mínima com alguém que passou quatro anos ausente e apareceu agora pressionando a mãe?

Helena ergueu a mão, pedindo calma.

— Eu sei. E isso será exposto. Mas precisamos entrar naquela audiência com duas coisas muito claras: firmeza e controle. Ele provavelmente vai tentar se apresentar como um homem contido, arrependido e injustamente afastado.

Ema soltou uma risada sem humor.

— Claro. O papel de vítima responsável combina bem com ele.

Helena não sorriu.

— Exatamente por isso você não pode cair em provocação emocional.

A advogada então abriu uma nova pasta e entregou algumas folhas.

— Aqui estão os principais pontos que você precisa ter em mente quando falar: foco nas crianças, foco na estabilidade, foco na construção de vínculo de forma segura e gradual — se é que o juízo for por esse caminho —, nunca em ressentimento pessoal.

Ema passou os olhos pelo material.

— “Se é que o juízo for por esse caminho.”

Helena assentiu.

— Sim. Porque também vamos sustentar que, antes de qualquer convivência, é preciso avaliação profunda do histórico, da conduta e do impacto psicológico de qualquer aproximação brusca.

Givaldo se recostou na cadeira.

— E se o juiz quiser pressionar por um acordo simbólico?

— Nós não fechamos nada em sala sem segurança técnica. — respondeu Helena. — Esse é o combinado.

Ema respirou fundo.

A audiência era esperada.

Ainda assim, a materialização da data fez tudo ficar mais concreto.

Mais perto.

Mais real.

...

Na saída, Givaldo caminhava ao lado dela sem falar.

Só quando chegaram ao estacionamento comentou:

— Eu conheço esse tipo de audiência. Se ele aparecer com a postura certa, muita gente vai se deixar impressionar.

Ema parou antes de entrar no carro.

— Você acha que eu também vou?

Givaldo a encarou.

...

Naquela noite, depois que as crianças dormiram, os dois se sentaram na sala com papéis, água e um bloco de anotações.

Givaldo assumiu um tom neutro e começou:

— Sra. Ema, por que o pai biológico passou quatro anos sem qualquer participação na vida dos menores?

Ela respondeu sem hesitar:

— Porque não houve procura legítima e segura, apenas contexto de violência, perseguição e desequilíbrio.

Givaldo assentiu.

— Por que a senhora não o procurou para informar a existência das crianças?

Ema travou por um segundo.

A pergunta doía em um ponto delicado, porque, embora soubesse exatamente por que não o fizera, também sabia como isso soaria de fora.

Respirou fundo e respondeu:

— Porque, no contexto em que eu vivia, a minha prioridade era garantir a sobrevivência e a proteção dos meus filhos. Não havia segurança nenhuma para um contato.

Givaldo anotou algo.

— Melhor. Mas tira a palavra “sobrevivência” se estiver nervosa. Pode soar dramático se a entonação sair errada.

Ela fechou os olhos por um segundo.

— Eu odeio isso.

— Eu sei.

E continuaram.

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