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Acusada de Traição, Volto com Três Filhos romance Capítulo 358

A psicóloga se chamava Dra. Elisa Moura.

O consultório era discreto, silencioso e acolhedor, sem qualquer excesso de formalidade.

Quando Ema se sentou à frente dela, sentiu imediatamente a exaustão que vinha segurando há dias pesar no próprio corpo.

Elisa não começou com perguntas técnicas nem com o tipo de voz artificialmente suave que Ema detestava.

Apenas perguntou:

— Você quer começar me contando o que está acontecendo ou quer começar me dizendo o que sente?

Ema ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois respondeu:

— As duas coisas estão misturadas.

Elisa assentiu.

— Então escolhe o ponto por onde consegue respirar melhor.

A frase, estranhamente, fez sentido.

Ema começou pelos fatos. Falou do passado com Alípio, da fuga, dos filhos, dos anos escondida, do reencontro, da garagem, das mensagens, do presente para Érica, dos e-mails, da ameaça jurídica.

Falou tudo com uma calma quase seca.

Quase como se estivesse narrando a vida de outra pessoa.

Elisa ouviu sem interromper.

Só quando Ema terminou é que perguntou:

— E agora me conta o que você sente.

Ema apoiou as mãos uma na outra.

Demorou um pouco.

— Raiva.

— De quem?

— Dele. De mim. Da situação inteira.

— Raiva de você por quê?

A pergunta a atingiu em um ponto sensível.

— Porque eu devia estar mais forte. Mais preparada. Mais fria talvez.

Elisa inclinou levemente a cabeça.

— Você acha que não está sendo forte?

Ema soltou uma risada curta, amarga.

— Estou funcionando. Não sei se isso é a mesma coisa.

Elisa anotou algo rapidamente e perguntou:

— Você tem medo dele?

Ema não respondeu na mesma hora.

Depois assentiu.

— Sim.

— Medo do quê exatamente?

Ela fechou os olhos por um segundo.

— De ele tirar meus filhos de mim. De ele invadir tudo de novo. De eu voltar a viver em função do que ele quer. De perder o controle da minha vida.

Ema pegou o copo d’água que estava sobre a mesa e tomou um gole devagar.

— Eu não tenho muito tempo livre.

Elisa respondeu com calma:

— Então considera isso como parte do que está fazendo pelos seus filhos.

A frase ficou ressoando dentro dela.

Ao sair do consultório, Ema sentiu-se estranhamente mais cansada e mais leve ao mesmo tempo.

Como se tivesse finalmente colocado nome em coisas que vinha carregando em silêncio havia anos.

No carro, antes de ligar o motor, recebeu mensagem de Givaldo.

“Como foi?”

Ela respondeu depois de alguns segundos:

“Útil.”

Ele respondeu quase na mesma hora:

“Isso, vindo de você, equivale a ‘muito importante’.”

Apesar de tudo, Ema esboçou um sorriso breve.

Logo em seguida, o sorriso desapareceu.

Nova mensagem. Número desconhecido.

“Consulta produtiva?”

Seu corpo inteiro gelou.

Ele sabia até disso.

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