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Acusada de Traição, Volto com Três Filhos romance Capítulo 349

Ao sair da sala de reuniões, Hortensia praticamente apareceu do nada ao lado dela.

— E então?

Ema caminhou de volta para o escritório sem parar.

— Ela admitiu.

Hortensia arregalou os olhos.

— Na cara dura?

— Com palavras bonitas, mas sim.

Hortensia fez uma careta indignada.

— Nossa, eu realmente não tenho estrutura para gente sofisticada. Traem, mentem, aparecem impecáveis, falam em “envolvimento emocional” e ainda tentam sair como vítimas.

Ema quase sorriu.

— Foi mais ou menos isso.

Assim que entrou na sala, encontrou Givaldo já esperando por ela.

Aparentemente, alguém o havia avisado que Carina estava ali.

O rosto dele estava mais fechado do que de costume.

— Ela veio?

Ema assentiu.

— Veio.

— E o que disse?

Ema fechou a porta e se apoiou de leve na mesa.

— Que a situação entre vocês já vinha ruim há muito tempo. Que se envolveu com outra pessoa. E que eu não deveria “piorar as coisas”.

A última parte fez o semblante de Givaldo se tornar ainda mais duro.

— Entendi.

Ema o observou em silêncio.

— Você vai falar com ela hoje?

— Já falei. — respondeu ele. — Ontem à noite e hoje cedo.

Ela franziu a testa.

— E?

Givaldo soltou uma risada seca.

— E ela acha que o problema não é o que fez, mas o fato de eu ter descoberto do jeito errado.

Ema fechou os olhos por um breve instante.

Soava exatamente como algo que Carina diria.

— Então acabou.

— Sim. — respondeu Givaldo. — Agora acabou de verdade.

Havia uma espécie de vazio estranho naquela frase.

Não parecia devastação.

Parecia mais o esgotamento de alguém que finalmente parou de insistir em algo que já vinha morrendo havia tempo demais.

Depois de alguns segundos, ele acrescentou:

— Talvez você estivesse certa.

Ema ergueu os olhos.

— Sobre o quê?

— Sobre não aceitar menos do que a verdade.

Ela não respondeu imediatamente.

No fundo, aquilo não era uma vitória.

Era só mais uma confirmação amarga de que certas relações apodrecem muito antes de terminarem oficialmente.

— Não exagera.

— Não é exagero. — retrucou ele. — Se já chegaram ao ponto de movimentar advogado, você precisa assumir que ele está disposto a avançar.

Ema travou os dentes.

A parte racional dela sabia que Givaldo tinha razão.

Mas a parte que passou anos escondida e sufocada se revoltava contra qualquer coisa que soasse como controle.

Percebendo a resistência dela, ele suavizou um pouco a voz:

— Não estou tentando mandar em você. Estou tentando evitar que você seja pega de surpresa outra vez.

A frase a atingiu em cheio.

Ela lembrava bem demais da garagem, do carro, da violência daquele encontro.

Depois de alguns segundos, assentiu.

— Tudo bem. Eu aviso.

Givaldo relaxou um pouco os ombros.

— Ótimo.

Antes de sair, ele ainda acrescentou:

— E, se ele te procurar de novo sozinho, quero saber no mesmo instante. Sem omitir nada.

Ema sustentou o olhar dele por um momento e respondeu:

— Tá bom.

Mas, por dentro, sabia que a situação estava entrando em uma nova fase.

Não era mais só incômodo, provocação ou mensagens insistentes.

Agora havia movimento jurídico.

E isso tornava tudo muito mais real.

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