Ele foi embora.
Ema lançou um olhar incrédulo para Zenobia, que estava ao seu lado.
Zenobia, com os olhos arregalados, olhava ao longe e depois voltava a olhar para Ema, repetindo o movimento várias vezes.
— Ema, parece que daqui para frente você vai estar completamente livre. Ele realmente veio só para prestar condolências.
O coração de Zenobia pareceu ficar muito mais leve. Ela não suportava mais ver Ema torturada e de coração partido por causa de Alípio.
Aquilo era bom. Era maravilhoso.
Ema também soltou um longo suspiro de alívio, como se um enorme peso tivesse sido retirado dos ombros.
Levantou-se devagar e falou a Samuel:
— Samuel... nós precisamos ir agora.
Samuel olhou para o horizonte e assentiu levemente.
Vendo que o Sr. Diogo, amparado pelos funcionários, já se afastava lentamente, Ema acrescentou com voz rouca:
— Samuel, não fique tão arrasado... tenta apoiar bem o nosso pai.
— E quem vai me apoiar?
Os olhos de Samuel estavam cheios de tristeza. Ele moveu os lábios, ergueu os braços lentamente, segurou os ombros de Ema e perguntou, com a voz embargada:
— Ema, você precisava mesmo fazer isso? Você reconheceu meu pai só por causa da minha mãe? Vestiu luto por ela ou fez isso só para me afastar de vez?
— Samuel... eu...
Ema também sentiu um nó na garganta, sem saber o que responder.
Samuel, por sua vez, soltou Ema bruscamente e saiu a passos largos pelo caminho de pedra, em direção ao estacionamento.
Zenobia levantou-se devagar e ficou ao lado de Ema:
— Ema, não fica triste. Algumas coisas levam tempo para se ajeitar.
Ema franziu a testa, baixando o olhar com pesar.
...
Todas as cerimônias no cemitério terminaram.
Zenobia deu um sorriso resignado e ligou o motor.
Ema observou o carro se distanciar, massageando o pescoço e os ombros doloridos, enquanto arrastava o corpo exausto em direção ao elevador.
Ela atravessava a faixa de pedestres e, depois de dar apenas alguns passos, teve o braço agarrado de repente por uma mão grande e forte, que a puxou com brutalidade para a parte mais escura da garagem.
Antes que Ema pudesse gritar, foi empurrada para dentro de um carro.
Alípio.
No instante seguinte, de olhos vermelhos de raiva, Alípio entrou à força no carro com suas pernas longas.
A porta foi batida com violência, e seu corpo musculoso inclinou-se diretamente sobre Ema.
Sua respiração pesada enchia o interior do veículo, revelando o esforço gigantesco que fazia para conter a fúria no peito.
— Ema, como você pode ser tão cruel?
Alípio cravou os olhos nos dela e falou entre os dentes.
Ema, completamente pega de surpresa por aquele ataque repentino, não sabia como reagir diante da opressão esmagadora do corpo dele sobre o seu.

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