Ema engoliu o nó na garganta e caminhou rapidamente até eles.
— Como ela está?
Assim que falou, as lágrimas também começaram a escorrer pelo rosto dela.
Samuel não levantou a cabeça. Apenas manteve a mesma posição e balançou a cabeça de um lado para o outro.
Zenobia aproximou-se e deu um tapinha no ombro de Ema, tentando consolá-la em silêncio.
Ema caminhou lentamente até o pai de Samuel, que estava sentado num banco.
Acariciou com delicadeza suas costas curvadas e murmurou, tentando confortá-lo:
— Senhor, por favor... tenta não ficar tão abalado...
Na verdade, Ema realmente não sabia o que dizer. Num momento assim, em que a saúde de um ente querido chegava àquele ponto, ninguém conseguiria permanecer bem.
O velho não respondeu. Continuou apenas olhando vagamente para o chão.
Eles permaneceram daquele jeito, em um silêncio pesado, esperando do lado de fora da sala de emergência.
Só meia hora depois o médico finalmente saiu.
Samuel tentou se levantar várias vezes, até conseguir ficar de pé apoiado na parede.
— A paciente está fora de perigo neste momento, mas... como família, vocês precisam se preparar psicologicamente para o que está por vir.
Depois do aviso, o médico se afastou apressado com o restante da equipe.
Samuel já estava completamente pálido. Quando viu a enfermeira empurrando a maca com sua mãe para fora, pareceu recuperar um pouco da consciência.
Ema se inclinou e sussurrou no ouvido de Zenobia:
— Vai ficar com o Samuel. Eu cuido do pai dele. Eu...
Zenobia assentiu e respondeu bem baixinho:
— Sim, pode ir. Este é o momento em que o Samuel está mais fragilizado. Talvez não seja o melhor momento para ser você a confortá-lo demais agora.
Quando Ema finalmente saiu do hospital, já era madrugada.
Assim que chegou perto do carro na garagem, ouviu o som das portas do elevador se abrindo não muito longe dali.
Perto do meio-dia, o celular apitou algumas vezes.
Ela pousou os talheres, abriu o WhatsApp e viu várias mensagens de Hortensia.
Ema clicou nelas com um sorriso carinhoso nos lábios.
Nos vídeos, as crianças apareciam brincando no parque usando as roupas da marca patrocinadora, com os cinegrafistas correndo atrás delas, a equipe segurando rebatedores e assim por diante.
Ficava claro que Hortensia vinha gravando os bastidores de propósito para que Ema pudesse acompanhar tudo.
Ema caminhou até a sala com o celular na mão, espelhou a tela na televisão e se sentou no sofá para assistir.
Um vídeo terminava, ela passava para o seguinte.
Mas, assim que a imagem do próximo vídeo apareceu, Ema congelou.
Na tela, as três crianças estavam sentadas lado a lado, sob a tenda de descanso, e uma figura familiar lhes oferecia frutas para comer.
Aquele homem era ninguém menos que Diogo Salazar.
O que ele estava fazendo no set de filmagem? E por que parecia tão íntimo das crianças?

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