Givaldo continuou:
— Ema, eu posso voltar e assumir os negócios da família. Fazendo as contas, este estúdio e os recursos que temos hoje já bastam para pagar a indenização.
Os olhos de Ema se encheram de lágrimas contidas, e seus lábios trêmulos se entreabriram levemente.
— Givaldo... de hoje em diante, você é meu melhor amigo.
Givaldo enfiou as mãos nos bolsos da calça e brincou:
— O que foi? Só me aceita assim depois que eu te ajudo desse jeito?
Ela soltou uma risada, enxugando a lágrima no canto do olho. Com a voz embargada, Ema desabafou:
— Para ser sincera, eu já cansei de me esconder todos esses anos. Quando levo as crianças ao parque, ao parquinho ou a qualquer outro lugar para brincar, em todas as fotos eu apareço toda coberta. Eu nem tenho coragem de levá-los pessoalmente a um restaurante para comer. Toda a minha presença digital e qualquer informação sobre mim estão no seu nome, ou então foi o Samuel e a Zenobia que deram um jeito. Acabei causando problemas sem fim para todo mundo ao meu redor que se importa comigo...
Ao chegar nesse ponto, as emoções transbordaram ainda mais. Ela conteve o choro, respirou fundo e continuou:
— Depois, quando consegui juntar algum dinheiro, cheguei a pensar em levá-los para fora do país... Mas, quando imaginei essa mudança, parecia exatamente uma fuga. Se eu fizesse isso, acho que carregaria esse peso para o resto da vida. Por isso, eu já me decidi...
Ema olhou para Givaldo, com um sorriso amargo desenhado nos lábios:
— Eu decidi que não vou mais me esconder.
Uma mistura de sentimentos tomou conta de Givaldo. Ele sustentou o olhar de Ema e perguntou com cautela:
— Ema, me diga a verdade. Ele chegou a abusar de você? Tipo... bateu em você, ou...
Ema balançou a cabeça:
— Ele provavelmente só acha que eu o traí e não consegue engolir o orgulho ferido.
Givaldo franziu a testa:
Depois de ouvir tudo, Givaldo foi até o sofá e se sentou devagar. Ficou em silêncio por um bom tempo antes de voltar a falar:
— Ema, você não precisa tomar uma decisão tão depressa. Eu tenho condições de te ajudar.
Ema virou-se para ele e respondeu num tom firme:
— Givaldo, eu não estou sendo impulsiva, nem fazendo isso por qualquer outro motivo. Eu já cansei de me esconder. Quero começar uma vida de verdade, uma vida nova.
A expressão preocupada de Givaldo foi aos poucos se transformando em alívio. Ele assentiu lentamente:
— Entendo. Assim como os seus dois amigos, eu apoio totalmente o que você decidir. A propósito, daqui para frente, quer que eu contrate alguns seguranças para te acompanhar?
Ema sorriu de leve para Givaldo e voltou o olhar para a paisagem urbana movimentada do lado de fora da janela de vidro.
— Não precisa... — murmurou, quase como se falasse consigo mesma. — Já se passaram mais de quatro anos... Alguém que, no fundo, nunca se importou com você provavelmente já te esqueceu há muito tempo. Fui eu que criei fantasmas na cabeça e me esforcei tanto para me esconder dele todos esses anos.

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