Givaldo lançou um olhar para Ema, que continuava paralisada, e perguntou em voz baixa para Hortensia:
— O que foi, Vânia?
Hortensia mordeu os lábios, hesitante. Ela não sabia o quanto Givaldo conhecia sobre o passado de Ema.
Mas todos podiam ver que Givaldo tratava Ema maravilhosamente bem.
Não era o tipo de cuidado de um homem com interesses em uma mulher; ele realmente cuidava dela como se fosse sua própria irmã mais nova.
Hortensia começou a falar, cautelosa:
— Ema...
Ema não esboçou nenhuma reação. Hortensia pensou que, chegando àquele ponto, Ema não a culparia por contar a verdade, não é?
— Ema, posso contar para o Sr. Amorim?
Ema continuou em silêncio, mas também não fez nenhum gesto ou expressão de recusa.
Logo em seguida, Ema se levantou da cadeira, colocou sua máscara e seu boné e, com uma voz grave, disse:
— Vou ao banheiro.
Vendo Ema sair da sala, Givaldo voltou a pressionar:
— Vânia, você viu o estado da Ema, não viu? Me conte tudo o que você sabe, de uma vez por todas, não se preocupe com mais nada. Eu sinto que ela foi maltratada por alguém. Me conta, e eu vou estar do lado dela no que for preciso.
Hortensia ficou em silêncio por um instante, respirou fundo e finalmente confessou:
— Sr. Amorim, o Alípio, do Grupo Salazar, é o ex-marido da Ema.
— O quê?! O Alípio não tinha fama de nunca querer casar? Ele já foi casado?!
Givaldo mal podia acreditar. Ele pegou seu copo de água e tomou vários goles seguidos. Além do mais, Ema havia lhe dito anteriormente que o marido dela havia morrido.
Será que ele também a havia agredido fisicamente?...
Enquanto Givaldo refletia, tomado por preocupações, a porta do escritório foi lentamente empurrada.
Ema entrou, com passos calmos e cadenciados.
Ela não caminhou até a mesa de trabalho. Em vez disso, foi até a janela panorâmica e ficou de pé, com a postura ereta, olhando em silêncio para os prédios ao longe.
Givaldo trocou um olhar significativo com Hortensia, que entendeu o recado imediatamente. Ela assentiu com a cabeça e saiu da sala em silêncio.
Givaldo terminou de beber a água, levantou-se lentamente e caminhou até o lado de Ema.
Ele também fixou o olhar à distância e, após um longo silêncio, disse:
— Ema... quando eu decidi empreender, minha família foi contra. Tudo o que a gente construiu até hoje mostrou que eu era capaz, mas, claro, nada disso seria possível sem você. E você tem metade desse mérito. Eu acho que... posso te ajudar com esse problema.
Ema virou o rosto levemente para olhá-lo. A palidez assustadora de antes já havia diminuído consideravelmente, substituída por uma calma quase excessiva.

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