Ao chegar nessa parte, Samuel percebeu que o rosto de Ema se iluminava de alegria e continuou a contar a história de forma vívida:
— Então eu saí correndo para comprar o pão de queijo. Como eu estava correndo muito rápido, caí de cara no chão e quebrei metade do dente. — Ele sorriu. — Mais tarde, quando fui ao dentista para consertar, fiquei com muito medo. Você até fez um bonequinho de pano para me animar...
Samuel falava sem parar, sempre observando as expressões no rosto de Ema.
Aquelas palavras pareceram fazer com que Ema baixasse a guarda, melhorando consideravelmente o clima entre os dois.
Ele tirou lentamente um bonequinho de pano gasto da mochila e o balançou na frente de Ema.
— Olha só, eu não o joguei fora. — Disse orgulhoso. — Toda vez que encontro alguma dificuldade, eu me lembro do seu encorajamento.
Ema estendeu a mão e pegou o bonequinho de pano.
Ela era muito nova na época, então a costura estava toda torta, mas nunca imaginou que Samuel o guardaria até hoje.
No entanto, Ema fez uma pausa, sem a intenção de seguir a deixa de Samuel para relembrar o passado.
Se Zenobia estivesse ali, seria divertido para os três conversarem sobre aquelas coisas.
Ema segurou o bonequinho e respondeu suavemente:
— Samuel, é claro que eu adoraria que você e a Zenobia me fizessem companhia todos os dias. — Disse ela com gratidão. — Mas... ambos têm seus próprios compromissos. Ficar preso aqui só vai atrasar as vidas de vocês e ser um tédio. Seria o suficiente se vocês tirassem um tempo para me visitar de vez em quando. Minha barriga ainda não está tão grande e eu posso fazer qualquer coisa.
Samuel não se importou com a recusa de Ema, ou melhor, ele já esperava que ela dissesse não.
Ele ponderou por um momento antes de responder:
— Que tal assim... você acabou de chegar neste lugar e não conhece ninguém por aqui. — Sugeriu ele. — Deixe-me encontrar uma senhora adequada para cuidar de você, e assim que tudo estiver organizado, eu volto para Campo Belo do Sul. Pode ser?
Depois dessa proposta, Ema não teve como argumentar contra.
Ela sorriu de leve e assentiu.
— Você sempre foi atencioso, e a minha vida é bem simples. — Respondeu ela com confiança. — Tenho certeza de que será o suficiente.
Com isso, Ema caminhou em direção ao quarto principal, mas parou à porta e virou-se.
— Samuel, você dirigiu por tanto tempo e deve estar exausto. Vá descansar cedo. — Aconselhou ela.
Samuel deu um sorriso afetuoso.
— Certo, descanse cedo também. — Disse ele. — Lembre-se de colocar o celular para carregar e me ligue se precisar de alguma coisa. E se... se você não estiver acostumada com o novo ambiente e sentir medo, também pode me ligar. Em suma, o meu celular estará sempre ligado.
Ema concordou com a cabeça.
— Entendido. Boa noite.
Apenas depois de ver Ema entrar no quarto é que Samuel foi trancar a porta do pátio e voltou para o quarto do leste.

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