Alípio encarou o papel sobre a mesa e disse com um tom sombrio:
— Ema, precisamos dessas formalidades entre nós?
— No divórcio também não foi preciso assinar e colocar a digital? Esses cinco milhões não são nada para você, mas para mim, podem comprar minha vida inteira. Já que você falou, como vou saber se não vai voltar atrás? Você já usou meios desprezíveis antes. — Retrucou Ema.
— Eu já fui desprezível com você? — Perguntou Alípio.
Ema não respondeu à pergunta dele e foi direta:
— Vai escrever ou não? Vai assinar ou não?
Alípio olhou para a expressão serena de Ema e, de repente, sentiu que tinha caído numa armadilha.
Ele sabia que o que a mantinha no Solar do Vale, muito provavelmente, era essa dívida.
Sem a amarra desse dinheiro...
— Então, você só estava falando da boca pra fora? Sem essa dívida, eu teria que fazer imediatamente o que você quer? Reatar com você hoje à noite? Dormir na mesma cama? Enquanto essa dívida existir, você tem uma razão para me controlar? E aproveitar para ameaçar meus amigos?
Durante o silêncio de Alípio, Ema foi direto ao ponto, expondo a utilidade daquele dinheiro que ambos conheciam bem.
Alípio franziu a testa. Antes achava Ema um pouco ingênua, como ela ficou tão esperta de repente?
Conseguia até adivinhar o que ele estava pensando?
Mas a palavra já tinha sido dita. Se ele não escrevesse, provaria que suas palavras eram vazias, e a resistência de Ema contra ele só aumentaria.
Ele tinha dito aquilo para comovê-la. Somado ao cuidado atencioso, achou que ela aceitaria ficar no Solar do Vale.
Alípio ficou em silêncio por um longo tempo e disse suavemente:
— Eu escrevo.
Ema fingiu não se importar e continuou comendo, mas seus olhos volta e meia espiavam o papel.
Hmm... como esperado de um presidente, ele escrevia muito bem, como era de se esperar.
Em pouco tempo, uma carta de compromisso perfeita estava nas mãos de Ema.
Pensando nisso, Alípio serviu sopa para Ema, tirou as espinhas do peixe, descascou os camarões...
Enfim, foi de uma gentileza sem precedentes, como se tivesse se transformado de um homem frio em um cavalheiro apaixonado num piscar de olhos.
Talvez por ter resolvido a questão que pesava em seu coração, Ema comeu muito bem e com gosto naquela refeição.
....................
Noite.
Ema entrou no quarto e trancou a porta por dentro.
Durante a noite, Alípio inventou desculpas para levar comida e bebida.
Ema não o deixou entrar nenhuma vez, apenas disse através da porta para ele deixar no corredor.
Ela podia sentir que ele ficava parado do lado de fora por muito tempo antes de sair.

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