— Ema, podemos tentar deixar o passado para trás?
Ema continuou comendo e, após um momento, respondeu lentamente:
— Se você tivesse suportado dois anos de indiferença e insultos, conseguiria esquecer?
Alípio fez uma pausa:
— Você sente que foi ferida, mas e a mágoa no meu coração?
— Que mágoa você tem? Você não confiava em mim, e ainda se diz ferido? Você era extremamente gentil com Helena na minha frente, e como me tratava?
Ao ouvir as palavras afiadas de Ema, Alípio quase ficou sem resposta.
Ela o estava culpando por não tê-la tratado bem?
Ele queria ter uma conversa civilizada, mas a amargura dela parecia ser maior que a dele.
Alípio ficou em silêncio por um instante antes de dizer:
— Sobre a Helena... ela... ela salvou minha vida uma vez.
Ema riu friamente em seu íntimo.
Dívida de gratidão por salvar a vida? Não é costume pagar esse tipo de dívida com o próprio corpo?
Então por que ele se casou com Ema?
Ema estava sabendo disso pela primeira vez, mas achava que retribuir uma vida e ter intimidade excessiva eram duas coisas completamente diferentes.
Além disso, Helena havia dito pessoalmente que os dois dormiram juntos. Se era verdade ou não, como ela saberia se Alípio estava mentindo?
Mas entre ele e Helena, muito antes e depois do divórcio, Ema já havia sofrido o suficiente.
Agora...
Ao ouvir isso, Ema percebeu um tom de súplica na voz dele.
O grande Alípio usando esse tom?
Ela achava que a linguagem dele se resumia a ordens frias e sarcasmo arrogante!
Ema pousou lentamente os talheres e disse de propósito:
— No passado, tudo o que eu precisava dizer e explicar, eu disse mais de uma vez. Minhas palavras gentis, minhas súplicas amargas, nada disso comprou sua confiança. Você acredita na ciência, o que é compreensível. Mas não posso aceitar que me rotulem e me insultem.
— Eu disse que já estou tentando aceitar tudo isso. Admitir pessoalmente é tão difícil assim para você? — Rebateu Alípio com a voz rouca.
— É difícil! Porque eu não fiz nada daquilo. E não vou explicar mais nada, porque cansei de explicar.
Dito isso, Ema pediu papel e caneta ao garçom e bateu com eles na mesa diante de Alípio:
— Escreva! O que você disse agora há pouco, que não vai mais me cobrar por aquele equipamento. Assina aqui, com data e CPF. Eu quero isso por escrito!

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