Ele apenas lançou um olhar para Vitória, que abaixou a cabeça e saiu apressadamente da sala.
Ema o varreu com um olhar indiferente; seus lábios se moveram, abrindo e fechando, mas nenhuma palavra saiu.
Foi Alípio quem falou, com voz suave:
— Venha, tome o café da manhã.
Ema hesitou, depois passou direto por Alípio, caminhando sem pressa em direção à sala de jantar.
Assim que chegou à mesa e ia puxar a cadeira.
Alípio, que a seguira, adiantou-se e puxou a cadeira para ela:
— Sente-se.
Ema hesitou por um momento antes de se sentar lentamente.
Ao erguer os olhos, a comida sobre a mesa entrou em seu campo de visão; era uma variedade impressionante.
— É tudo o que você gosta de comer. — A voz suave de Alípio soou novamente em seu ouvido.
Ema de repente sentiu um desconforto no corpo todo.
Embora ele tivesse demonstrado essa gentileza na noite anterior, aquilo não era apenas uma atuação?
Logo cedo, apenas os dois na sala de jantar, para quem ele estava atuando?
Enquanto pensava nisso, sua barriga roncou novamente.
Mas Ema ficou hesitante...
Ontem à noite, ela estava cansada, não queria discutir nem brigar com ele.
Se ela se sentasse ali naturalmente agora e começasse a comer.
Aos olhos dele, poderia parecer que ela estava muito feliz em ficar ali.
Nesse momento, pelo canto do olho, viu que Alípio já havia se sentado ao lado dela.
— Coma primeiro. Depois do café, vou te levar a um lugar.
Junto com a voz de Alípio, veio sua mão estendendo um potinho com ovo.
Ema não estendeu a mão para pegar. Seus olhos o varreram com indiferença e ela falou friamente:
— Para onde? Por quanto tempo você vai me manter presa aqui?
A voz de Ema cessou, e seu olhar se voltou lentamente para Alípio.
Ele estava em silêncio, acariciando o braço ferido, parecendo ponderar algo.
O olhar de Ema parou inadvertidamente no braço dele por alguns segundos.
A gaze parecia ter sido trocada por uma nova.
Que ferimento era aquele? Precisava trocar o curativo todos os dias?
Nesse momento, um empregado aproximou-se com uma caixa de remédios, colocou-a sobre a mesa e disse respeitosamente:
— Sr. Salazar, o médico recomendou que estes medicamentos sejam tomados meia hora após a refeição.
Alípio assentiu sem expressão.
Ema ainda não havia recolhido o olhar quando cruzou com os olhos de Alípio, que subitamente se voltaram para ela.
Aquele olhar já não tinha a gentileza de antes do café.
Em seguida, sua voz habitual, fria como gelo, soou nos ouvidos dela:
— Ema, parece que sua memória não é muito boa. Ou você quer mesmo parar na delegacia?

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