Com a repreensão de Helena, Fátima calou-se completamente.
Ela baixou a cabeça e permaneceu imóvel.
Nesse momento, a voz de Alípio ecoou no salão:
— Marcos, traga ele.
Marcos fez uma reverência e saiu apressado; em poucos minutos, retornou.
Ele liderava alguns seguranças que traziam o homem que havia sido detido anteriormente.
Ema olhou para o recém-chegado; era exatamente o homem das fotos que negociava com Marta.
Marcos havia detido até essa pessoa?
Parecia que a armação para prendê-la já havia sido descoberta por Alípio.
Ema não se moveu, observando Marcos tirar as fotos da pasta sobre a mesa e mostrá-las ao homem.
Marcos ordenou:
— Repita o que você disse. Quem mandou você fazer isso e o que exatamente fez. Conte tudo.
O homem correu os olhos furtivos e amendrontados pelo salão e começou a falar timidamente:
— Foi... — Ao dizer isso, seu olhar cruzou com o de Helena, e ele rapidamente se virou para Fátima, apontando para ela: — Foi ela! Foi ela quem mandou eu me passar por fotógrafo para comprar os dados do Estúdio de Sonho da Marta. Ela me pagou R$ 100 reais e me mandou coagir a Marta a incriminar uma tal de Ema. Só isso.
Marcos franziu a testa e estava prestes a falar, mas Alípio o interrompeu a tempo:
— Marcos, ligue para o delegado.
Marcos olhou para Alípio com surpresa, mas assentiu apressadamente.
Enquanto saía, ele refletia sobre as atitudes de Alípio.
Marcos não conseguia entender; durante a conversa no escritório, ele já havia contado a Alípio que aquele homem havia identificado Helena.
Além disso, Fátima não parecia ser uma pessoa meticulosa, incapaz de arquitetar essa série de armadilhas.
Fátima a odiava, ela sabia, mas naquele momento, a atitude drástica de Helena e a suspeita de que Fátima estivesse sendo ameaçada por ela faziam sentido.
Até no incidente da agressão, Helena foi capaz de se virar contra Fátima instantaneamente, limpando a própria barra.
Em um caso criminal de armação como este, Helena certamente faria de tudo para se livrar da culpa.
Relembrando a hesitação de Fátima ao mencionar que foi instigada por Helena e sua expressão de choque, ficava claro que não era tão simples.
Se Ema não estivesse enganada, na responsabilidade pela conspiração...
A mandante certamente era Helena, e Fátima era apenas a cúmplice!
Ema chegou a essa conclusão, mas não sabia como expressá-la.
Ela não tinha nenhuma prova, e tudo baseado apenas em deduções não se sustentaria.

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