Lá embaixo, ainda se sentia um resto de calor.
Mas, à medida que subia as escadas, Lílian sentia o frio penetrar até os ossos. E, quanto mais se aproximava do quarto, mais a temperatura parecia despencar.
Ela nem sabia quando, exatamente, o aquecimento tinha sido desligado.
Agora, tudo o que Lílian sentia era frio, um frio de verdade.
— Ela está tentando obrigar a gente a morrer. — Disse Lílian, quase sem fôlego.
Sabrina soltou, amarga:
— Não. Ela quer que todo mundo viva pior do que morto.
Antes, todas queriam vê-la sofrer daquele jeito dentro da família Pereira. Por isso, faziam de tudo para atormentá-la.
Ela acabou perdendo os dois filhos. Tiraram dela qualquer chance de ter dias tranquilos.
E agora?
Agora eram elas que estavam vivendo no inferno.
Lílian se aproximou e apertou a colcha de Sabrina com a mão.
— Mesmo assim, você ainda está com frio?
O cobertor de Sabrina já era bem grosso.
Ainda assim, ela continuava tremendo sem parar.
— O problema é o que está por baixo. Está fino demais, não esquenta. — Respondeu Sabrina.
Antes, ela tinha pensado que, com o aquecimento do quarto ligado, não havia necessidade de forrar a cama com tantas camadas. Quem poderia imaginar que Isabela faria uma coisa dessas de repente?
— Não tem mais cobertor sobrando? — Perguntou Lílian.
Enquanto falava, correu até o guarda-roupa. Ela se lembrava de que os cobertores de cada quarto costumavam ficar no compartimento mais alto.
Quando estava prestes a procurar um banco para subir e conferir, Sabrina falou:
— Eu já olhei. Ela levou tudo.
Ao ouvir aquilo, sentiu até o sangue perder o pouco calor que ainda lhe restava.
— Levou tudo?
Ótimo. Isabela era cruel mesmo.
E aquilo era o quê, afinal? Não era tortura dia e noite?
Nem de madrugada ela deixava as duas em paz.
Lílian puxou o ar fundo.
— Ela realmente quer fazer a gente viver pior do que morto.
Elas tinham passado quase o dia inteiro trabalhando na área dos currais, e agora o corpo inteiro cheirava mal.
Sem contar que, sem querer, ela ainda tinha se sujado com fezes daqueles animais de estimação, além de estar coberta de pelos.
Numa hora dessas, tudo o que ela mais queria era tomar um banho quente, lavar bem o corpo e se livrar daquela imundície.
Só que Isabela tinha sido cruel a esse ponto. Nem para tomar banho as deixava em paz.
— Não precisa. É melhor cada uma dormir na sua.
O desprezo na voz dela mal podia ser disfarçado.
Depois de falar, nem olhou mais para Sabrina. Virou-se e saiu do quarto.
Lá embaixo, o barulho era alto, vozes agitadas e misturadas.
Dava para reconhecer a de Bruna, a de Cristiano.
E também a daquele homem do país Y que vivia ao lado de Isabela.
Ao chegar ao topo da escada, Lílian ouviu Bruna gritando com Wallace:
— Isso já passou de todos os limites. Vocês viram a quantidade de neve lá fora hoje? Tem mais de um palmo acumulado. E vocês cortam o aquecimento e a água quente? Querem que a gente congele até morrer?
Taís estava sentada no sofá. Cristiano, com o rosto fechado, segurava um cigarro entre os dedos.
Claramente, o quarto dele estava nas mesmas condições que o de Bruna, sem aquecimento e sem água quente.
Dava para admitir uma coisa: Isabela sabia muito bem como torturar.
Gente como eles já estava acostumada ao conforto.
Em pleno inverno congelante, cortar o aquecimento e a água, isso não era praticamente tirar os recursos básicos de sobrevivência?
Diante do descontrole de Bruna, Wallace permaneceu impassível:
— Vocês não costumavam dizer que gente desprezível tem vida dura? Então relaxa. Vocês não vão morrer congelados tão fácil assim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...