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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 500

Lá embaixo, ainda se sentia um resto de calor.

Mas, à medida que subia as escadas, Lílian sentia o frio penetrar até os ossos. E, quanto mais se aproximava do quarto, mais a temperatura parecia despencar.

Ela nem sabia quando, exatamente, o aquecimento tinha sido desligado.

Agora, tudo o que Lílian sentia era frio, um frio de verdade.

— Ela está tentando obrigar a gente a morrer. — Disse Lílian, quase sem fôlego.

Sabrina soltou, amarga:

— Não. Ela quer que todo mundo viva pior do que morto.

Antes, todas queriam vê-la sofrer daquele jeito dentro da família Pereira. Por isso, faziam de tudo para atormentá-la.

Ela acabou perdendo os dois filhos. Tiraram dela qualquer chance de ter dias tranquilos.

E agora?

Agora eram elas que estavam vivendo no inferno.

Lílian se aproximou e apertou a colcha de Sabrina com a mão.

— Mesmo assim, você ainda está com frio?

O cobertor de Sabrina já era bem grosso.

Ainda assim, ela continuava tremendo sem parar.

— O problema é o que está por baixo. Está fino demais, não esquenta. — Respondeu Sabrina.

Antes, ela tinha pensado que, com o aquecimento do quarto ligado, não havia necessidade de forrar a cama com tantas camadas. Quem poderia imaginar que Isabela faria uma coisa dessas de repente?

— Não tem mais cobertor sobrando? — Perguntou Lílian.

Enquanto falava, correu até o guarda-roupa. Ela se lembrava de que os cobertores de cada quarto costumavam ficar no compartimento mais alto.

Quando estava prestes a procurar um banco para subir e conferir, Sabrina falou:

— Eu já olhei. Ela levou tudo.

Ao ouvir aquilo, sentiu até o sangue perder o pouco calor que ainda lhe restava.

— Levou tudo?

Ótimo. Isabela era cruel mesmo.

E aquilo era o quê, afinal? Não era tortura dia e noite?

Nem de madrugada ela deixava as duas em paz.

Lílian puxou o ar fundo.

— Ela realmente quer fazer a gente viver pior do que morto.

Elas tinham passado quase o dia inteiro trabalhando na área dos currais, e agora o corpo inteiro cheirava mal.

Sem contar que, sem querer, ela ainda tinha se sujado com fezes daqueles animais de estimação, além de estar coberta de pelos.

Numa hora dessas, tudo o que ela mais queria era tomar um banho quente, lavar bem o corpo e se livrar daquela imundície.

Só que Isabela tinha sido cruel a esse ponto. Nem para tomar banho as deixava em paz.

— Não precisa. É melhor cada uma dormir na sua.

O desprezo na voz dela mal podia ser disfarçado.

Depois de falar, nem olhou mais para Sabrina. Virou-se e saiu do quarto.

Lá embaixo, o barulho era alto, vozes agitadas e misturadas.

Dava para reconhecer a de Bruna, a de Cristiano.

E também a daquele homem do país Y que vivia ao lado de Isabela.

Ao chegar ao topo da escada, Lílian ouviu Bruna gritando com Wallace:

— Isso já passou de todos os limites. Vocês viram a quantidade de neve lá fora hoje? Tem mais de um palmo acumulado. E vocês cortam o aquecimento e a água quente? Querem que a gente congele até morrer?

Taís estava sentada no sofá. Cristiano, com o rosto fechado, segurava um cigarro entre os dedos.

Claramente, o quarto dele estava nas mesmas condições que o de Bruna, sem aquecimento e sem água quente.

Dava para admitir uma coisa: Isabela sabia muito bem como torturar.

Gente como eles já estava acostumada ao conforto.

Em pleno inverno congelante, cortar o aquecimento e a água, isso não era praticamente tirar os recursos básicos de sobrevivência?

Diante do descontrole de Bruna, Wallace permaneceu impassível:

— Vocês não costumavam dizer que gente desprezível tem vida dura? Então relaxa. Vocês não vão morrer congelados tão fácil assim.

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