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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 499

Ao ouvir aquilo da empregada, o coração de Lílian afundou de vez.

— Ah, e tem mais... Os empregados da família Dias sempre viveram assim. Então por que você seria diferente? Por que não aguenta?

Lílian não soube o que responder.

A família Dias... Os empregados de lá...

Era verdade. Muita gente que trabalhava para a família Dias vivia em condições miseráveis, quase tão ruins quanto aquelas. Mas também não passavam o dia só com um pedaço de pão.

Pelo menos tinham três refeições e comida de verdade na mesa.

Ela, não. Não tinha nada além daquilo.

Quando baixou os olhos para o único pão no prato, seco, frio, sem o menor vestígio de calor, Lílian sentiu o peito subir e descer com violência, tomada por uma revolta que já não conseguia conter.

Era de propósito.

Tudo aquilo era de propósito.

Isabela estava fazendo aquilo de propósito.

E ainda assim... O que ela podia fazer?

Mesmo sabendo que era intencional, o que estava ao alcance dela?

Agora, ninguém na família Pereira era capaz de enfrentar Isabela.

Então ela, sozinha, conseguiria o quê?

— Não vai comer?

Vendo que Lílian continuava parada, a empregada endureceu ainda mais o tom.

E, no instante em que fez menção de pegar o prato de volta, Lílian se lançou para a frente e agarrou o pão às pressas.

— Vou comer. Eu vou comer.

As palavras saíram entre os dentes, carregadas de humilhação e ódio.

Como ela poderia não comer?

Se não comesse, com que forças suportaria o que ainda vinha pela frente?

Havia dois dias que ela mal comia. Naquele momento, até meio pão já era coisa demais para desperdiçar.

A fome havia arrancado dela qualquer resquício de orgulho.

Ser tratada daquela maneira por Isabela era uma humilhação devastadora, mas, ainda assim, ela não tinha escolha senão engolir.

No fim, agarrou o pão e começou a devorá-lo em grandes mordidas.

Na cabeça dela, havia um único pensamento.

Terminar aquilo logo, subir para o quarto, tomar um banho quente e dormir debaixo das cobertas, num quarto aquecido.

O frio que havia passado naquela tarde, limpando o cercado, tinha sido insuportável. Várias vezes ela quase largou tudo e foi embora.

Mas, toda vez que pensava que, se não trabalhasse, não teria nem o que comer, acabava suportando.

Repetia para si mesma, uma vez após a outra, que, quando voltasse para o quarto, tudo melhoraria.

Bastaria entrar ali para voltar a sentir algum calor.

Mas o pão estava tão seco e duro que, ao mastigar, parecia borracha na boca.

— Claro que foi cortado.

No mesmo instante, Lílian sentiu o coração afundar.

Correu de volta para o quarto para ver o que tinha acontecido.

E encontrou Sabrina encolhida na cama estreita, tremendo sem parar de frio.

Até o aquecimento do corredor da ala onde estavam hospedadas havia sido desligado.

Sabrina estava toda enroscada na cama estreita, tentando se aquecer como podia.

Lílian parou por um segundo, com a respiração presa.

— O quarto está tão frio assim?

— Já perguntaram isso agora há pouco. Cortaram o aquecimento. E a água quente também.

Lílian ficou sem reação.

Sem aquecimento.

Sem água quente.

E em pleno inverno.

Antes, ela ainda via as atitudes de Isabela como birra de criança.

Mas agora... Continuava vendo da mesma forma.

O problema é que aquela birra já estava empurrando as duas para o limite da sobrevivência.

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