Não havia alternativa a não ser se livrar daquilo o quanto antes.
Ele precisava descobrir toda a verdade...
Na mansão dos Pereira, Sabrina já vinha pensando em ir embora havia algum tempo.
Havia muito tempo Sabrina já tinha percebido que Isabela estava disposta a tudo para atormentar Lílian. Naquela altura da vida, ela já não tinha forças para suportar aquilo por muito mais tempo. Só queria ir embora dali o quanto antes.
Só que, depois de entrar na casa dos Pereira, ir embora deixou de ser simples.
Assim que os homens de Isabela souberam que ela queria pedir demissão, cortaram a ideia na mesma hora e impediram que saísse. Sabrina ainda tentou argumentar, insistiu, apelou para o bom senso.
No fim, porém, não teve como enfrentar a força de quem mandava ali.
Sem saída, teve de continuar naquela mansão sufocante, agarrando-se como podia a qualquer chance de sobreviver.
Quanto a Lílian, Sabrina já não tinha mais condições de cuidar dela.
Os homens de Isabela haviam deixado isso bem claro: se ela escondesse qualquer resto da comida recebida em troca do trabalho, na refeição seguinte sua porção seria cortada pela metade.
Por isso, ao meio-dia, Sabrina almoçou sozinha.
Lílian esperou no quarto até as três da tarde, mas Sabrina não apareceu com nada para dividir com ela.
No dia anterior, ela já não tinha comido nada. Naquele dia, a fome era tanta que tudo rodava diante dos seus olhos, enquanto sua visão escurecia.
Mesmo cambaleando, ela reuniu forças e foi procurar Sabrina.
Mas Sabrina disse que já havia comido.
— Você já comeu? — Lílian arregalou os olhos.
— Já.
— Você...
O rosto de Lílian perdeu a cor na mesma hora.
Afinal, por que Vanessa tinha mandado Sabrina para aquele lugar? Será que tinha se esquecido? Sabrina estava ali para cuidar dela.
Agora que Isabela a torturava daquele jeito, Sabrina deveria ajudá-la a suportar aquilo.
Mas não. Tinha ido comer sozinha e a deixado de lado como se ela não existisse.
A expressão de Lílian desabou de vez.
— E eu vou comer o quê?
Ela explodiu, tomada pela revolta.
Sabrina já tinha comido e, ainda assim, não tinha pensado nela nem por um instante. Então, afinal, para que Sabrina continuava naquela mansão dos Pereira?
Ao ver o semblante carregado de Lílian, Sabrina também endureceu.
— Lílian, acha mesmo que, numa situação dessas, eu ainda tenho condições de cuidar da senhora? — Ela soltou um suspiro pesado. — Você viu muito bem o que aconteceu ontem. E também ouviu o que Isabela disse hoje de manhã.
Numa situação daquelas, a única saída era pensar em si e sobreviver como desse. Quem teria condição de cuidar de mais alguém?
Mas, diante da atitude de Sabrina, Lílian ficou ainda mais furiosa.
No fim das contas, não havia uma única pessoa sequer que se importasse com ela?
O rosto de Lílian foi ficando cada vez mais sombrio, enquanto a raiva se acumulava dentro dela, sem encontrar por onde explodir.
Sabrina olhou para Lílian, ainda cheia de melindre, e disse:
— Aproveite que ainda tem forças e vá logo procurar o pessoal da Isabela para pegar alguma tarefa.
— Você quer que eu me humilhe de novo diante dela? Eu já fiz isso uma vez.
Ao se lembrar da humilhação da noite anterior diante de Isabela, a raiva de Lílian aumentou ainda mais.
Ela tinha até se ajoelhado diante dela.
E o que tinha conseguido com isso?
Nada.
Absolutamente nada.
E agora ainda queriam que ela se humilhasse de novo?
Sabrina respondeu friamente:
— Ceder não é se ajoelhar diante da Isabela. Isso não vale nada para ela. O que ela valoriza é quem trabalha.
Lílian ficou com a expressão dura.
Nada disso. Aquilo não era valorização de quem trabalhava, era retaliação.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...