Ao ver Cristiano vindo direto em direção ao carro, Lílian agarrou com força a mão de Sabrina.
— O que eu faço? Ele está vindo para cá... Isso quer dizer que ele sabe que eu estou aqui dentro, não é?
— Acalme-se, Lílian. Espere mais um pouco. — Respondeu Sabrina, apressada.
Naquele momento, até Sabrina estava nervosa.
Mas, para ela, enquanto a situação ainda não tivesse chegado ao ponto sem volta, não havia como encará-la de frente com tanta facilidade.
Afinal, se a relação entre Lílian e Marcelo viesse à tona diante da família Pereira, o preço seria alto demais.
Por isso, enquanto ainda não fosse o último momento, ela não podia se expor.
— Ele sabe... Ele com certeza sabe... Com certeza...
— Lílian, se acalme.
Vendo Lílian tremer dos pés à cabeça, Sabrina tentou mais uma vez fazê-la se controlar.
Mas como Lílian poderia se acalmar?
Ela simplesmente não conseguia.
Quanto mais Cristiano se aproximava, mais o pânico dentro dela saía do controle.
Ela estava apavorada.
Cristiano parou diante do carro de Marcelo.
Naqueles poucos segundos em que pareceu encará-la através do vidro escurecido, a respiração de Lílian travou de vez.
Mesmo sabendo que ele não conseguiria ver o interior do carro, ainda assim ela sentia um medo sufocante.
Seus dedos apertaram ainda mais a mão de Sabrina.
E, naquele instante, ao encontrar aqueles olhos frios e cortantes de Cristiano, Sabrina também sentiu um suor gelado escorrer por suas costas.
Cristiano permaneceu parado diante do carro.
Vestido com um sobretudo preto, ficou ali, de pé, sob o vento cortante do inverno. Ainda assim, a aura que emanava dele era mais gelada do que o ar tomado pela geada.
— Você não vai descer?
Naquele instante, sua voz soou carregada de uma frieza afiada, quase mortal.
Naquele momento, o último fio de esperança que ainda restava no coração das duas se despedaçou por completo.
Sufocada pelo pânico, Lílian lançou um olhar para Sabrina.
O rosto de Sabrina também já estava branco como papel.
As duas se encararam.
Grossas gotas de suor escorriam pela testa de ambas, uma após a outra, embora fosse pleno inverno.
Mesmo com o frio, o suor brotava sem parar.
A voz de Cristiano tornou a soar do lado de fora.
— Ou quer que eu use um jeito mais... Especial de tirar você daí?
O tom dele estava frio.
Frio demais.
Tão frio que Lílian já não conseguia mais se esconder, nem continuar fugindo.
Mesmo tomada por um medo mortal, sob a pressão esmagadora de Cristiano, ela acabou estendendo a mão e abrindo a porta.
— Ah, é? E o que exatamente você acha que eu estou pensando?
O que ele estava pensando?
Pelo jeito como a encarava, pela frieza cortante em sua voz, era óbvio que ele já tinha chegado a uma conclusão sobre a relação entre ela e Marcelo.
Na cabeça de Lílian, naquele instante, só havia uma certeza.
Não havia mais saída.
Se ela não conseguisse dar uma explicação convincente naquela noite, não estaria acabada apenas dentro da família Pereira.
Estaria acabada até diante da própria mãe.
Ao se lembrar das palavras de Vanessa ao telefone, Lílian sentiu o peito apertar ainda mais, tremendo tanto que mal conseguia se sustentar.
No fim, fechou os olhos por um segundo e reuniu toda a coragem que ainda lhe restava.
— Eu fui obrigada.
Ela já não se importava se Cristiano acreditaria ou não.
Naquele momento, Lílian tinha decidido apostar tudo.
Assim que aquelas palavras saíram de sua boca, o ar ao redor pareceu mergulhar num silêncio absoluto.
Os olhos gelados de Cristiano, que já eram duros antes, ficaram ainda mais sem calor.
— Obrigada?
Ao repetir a palavra, o canto da boca dele se curvou num sarcasmo cruel.
Em Nova Aurora, sendo a princesinha de Vanessa, quem teria poder para obrigá-la a fazer o que quer que fosse?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...