Ao perceber que, mesmo numa hora daquelas, Lílian ainda soava ressentida, a raiva de Vanessa aumentou ainda mais.
— Você faz ideia de quantas coisas aqui no País Y eu ainda preciso deixar nas mãos do João? O filho dele está nas mãos do Cristiano agora. Você não conseguiu resolver isso para ele. E, se ele ficar insatisfeito e parar de me ajudar como deveria, o que eu faço?
Lílian apertou o celular com força entre os dedos.
— O problema é mesmo o João deixar de te ajudar... Ou é você que já está em desespero por conta própria?
Encurralada ao ponto de perder o controle, ela também se exaltou.
Do outro lado da linha, Vanessa ficou ainda mais furiosa ao ouvir aquilo.
— O que foi que você quis dizer com isso?
Sua voz ficou ainda mais dura, ainda mais cortante.
Ao ouvir aquele tom, Lílian sentiu o peito se fechar. Respirou fundo antes de responder:
— Não quis dizer nada.
O que mais ela poderia dizer?
Já fazia tempo que Lílian percebia que, em muitas situações, Vanessa também acabava tomando o lado de Eduardo.
Sendo que a filha biológica dela era Lílian.
Mas, sempre que era ela quem fazia algum pedido, a mãe nunca a atendia.
Bastava Eduardo insinuar qualquer coisa, e Vanessa corria para satisfazê-lo.
E agora estava acontecendo a mesma coisa.
A voz de Vanessa soou glacial pelo telefone:
— É melhor você não estar pensando nenhuma besteira.
Depois, sem lhe dar chance de responder, encerrou o assunto:
— Chega. Vá resolver o seu problema. Quanto ao Eduardo, você não precisa mais se meter nisso.
Afinal, o caso dela com Marcelo já tinha sido descoberto por Cristiano em pleno flagrante.
Tomara que, desta vez, ela ainda conseguisse fazer Cristiano voltar a confiar nela como antes.
Quanto ao assunto de Eduardo, Vanessa já tinha entendido uma coisa:
Lílian nunca tivera a menor intenção de ajudá-la de verdade a resolver aquilo.
Mesmo que abrisse a boca diante de Cristiano, não faria nada de concreto para salvar Eduardo. No fim, só acabaria piorando tudo de vez.
Vanessa desligou.
Lílian ergueu os olhos e olhou pela janela do carro.
Não muito longe dali, Cristiano estava com um pé apoiado nas costas de Marcelo.
Em algum momento, Marcelo tinha recobrado a consciência.
Com o rosto coberto de sangue, ele parecia um homem arrasado, humilhado, sem a menor dignidade.
Mas, aos olhos de Lílian, o que mais saltava ali era a dor.
Se fosse mesmo um teste, então, acontecesse o que acontecesse, ela não podia sair daquele carro.
Pensando nisso, puxou o ar várias vezes, tentando se obrigar a se acalmar.
— Isso... Eu não posso descer. Tenho que esperar, só mais um pouco... Mas e se ele matar o Marcelo?
Ao ver Marcelo caído no chão, de bruços, sem se mexer, o medo apertou seu peito de verdade.
Ela realmente estava com medo de Cristiano tê-lo espancado até a morte.
Sabrina falou em voz baixa, tentando mantê-la sob controle:
— Acho que não. Vamos esperar mais um pouco.
Depois de tudo o que já tinha feito ao lado de Lílian, Sabrina também não queria, de jeito nenhum, que a relação entre os dois viesse à tona daquela forma.
Afinal, se acabasse sendo arrastada para aquilo, o preço que pagaria também não seria pequeno.
E assim, sob os apaziguamentos insistentes de Sabrina, Lílian acabou se forçando a se manter calma e não saiu do carro.
Só que...
Ela não queria descer para encarar aquilo.
Cristiano, porém, começou a caminhar na direção do carro de Marcelo.
Vinha contra a luz, mas, ainda assim, sua presença carregava uma pressão sufocante, uma autoridade quase brutal.
No mesmo instante, o coração de Lílian voltou a se contrair.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...