Mas a Taís era pesada demais, mesmo carregando nas costas, era um esforço enorme.
Que garota sem noção. Havia tempos ele mandava que ela parasse de comer tanto. Menina bonita era leve, delicada, esguia, mas Taís nunca escutava. Comia por três, como se o mundo fosse acabar no dia seguinte.
É verdade que, nos últimos dias, ela tinha emagrecido um pouco. Só que, perto do peso que sempre teve, aquilo não fazia diferença nenhuma.
— Você vai ficar calado até quando? Fala alguma coisa! — Bruna explodiu, fora de si.
Cristiano não respondeu. Nem uma palavra.
Sem ter em quem descarregar a raiva, Bruna jogou tudo em cima dele, como se ele fosse obrigado a resolver a situação.
Foi então que se lembrou do filho caçula.
Ele tinha morrido ainda bebê, com apenas um ano, levado por uma febre alta.
Desde então, Bruna passou a ter um pavor quase doentio de febre. E, ao ver Taís queimando daquele jeito, entrou em desespero.
— Leva ela pro hospital. — Disse Cristiano, já irritado.
— E como é que a gente vai fazer isso? — Retrucou Bruna.
Cristiano ficou mudo.
Como?
Bastou lembrar que Isabela tinha proibido a entrada de qualquer carro ali para o sangue dele ferver. Num acesso de raiva, chutou o corrimão.
— Como? Nas costas, ué.
Que inferno.
Cristiano foi direto ao quarto de Taís, pôs a garota nas costas e saiu. Bruna correu atrás.
Ela já estava esgotada, morrendo de fome, e agora Taís ainda adoecia.
À noite, o frio apertava ainda mais.
Bruna tirou o casaco do próprio corpo e enrolou em Taís.
— Ela já está sofrendo por nossa causa, e eu nem sei até quando isso vai durar. — Disse, cerrando os dentes.
Uma vida daquelas enlouquecia qualquer um. Se continuasse assim, ela mesma acabaria perdendo a vontade de viver.
Nem era só por causa da depressão de Lílian. Bruna sentia que também estava a um passo de desabar.
Pensando em Lílian e na doença dela, acabou dizendo:
— Pelo menos sua cunhada é forte. Com toda a pressão que a Isabela vem fazendo nesses últimos dias, a depressão dela nem deu sinal. Porque, se ela tivesse uma crise justo agora, eu juro... Eu também não ia querer continuar vivendo.
A casa já tinha virado um inferno por causa de todas as restrições impostas por Isabela, e isso sozinho já bastava para levá-la à beira da loucura.
Se Lílian ainda surtasse por causa da doença, então Bruna perderia de vez qualquer vontade de seguir em frente.
Ao mesmo tempo, tentou acordar Taís:
— Taís, dá para você descer e andar sozinha?
Ainda faltava um bom pedaço até saírem dali. Se Cristiano tivesse mesmo de carregá-la o caminho inteiro nas costas, não ia aguentar.
E Bruna, por sua vez, não tinha a menor condição de ajudar.
— Estou sem forças... Não quero me mexer... — Taís respondeu num fio de voz.
O corpo inteiro parecia desmanchar, sem energia nenhuma, e ela ainda sentia frio. Não tinha condições de dar um único passo.
Ao ouvi-la naquele estado, Bruna não teve coragem de insistir. Só restou deixar Cristiano continuar, parando de vez em quando para recuperar o fôlego.
Na mansão da família Pereira...
Wallace foi avisar Isabela de que Cristiano tinha levado Taís nas costas para o hospital.
Isabela soltou uma risada seca.
— Como irmão mais velho, é o mínimo que ele pode fazer.
E aquilo lá era sofrimento, por acaso?
Mesmo que eles nunca tivessem passado por nada parecido antes, ainda estava muito longe de ser sofrimento de verdade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...