Sérgio.
Grupo Hoglay.
Isabela.
Esses três nomes se misturaram de tal forma que todas as certezas que Cristiano sustentava até então ruíram de uma vez.
E ainda havia o que Taís e Bruna tinham dito: Isabela estava envolvida com um homem do país Y.
Aquilo, na cabeça dele, derrubava de vez a ideia de que o problema fosse entre Isabela e Sérgio.
O que começou a tomar forma foi outra coisa.
— Foi o Sérgio que te apresentou a alguém do Grupo Hoglay, não foi?
Era a suspeita mais direta que ele tinha naquele momento.
Não... Pior.
Já nem era mais suspeita.
Era convicção.
Na cabeça dele, algum nome de peso do Grupo Hoglay tinha se interessado por Isabela.
E, como Sérgio mantinha relações comerciais com o grupo havia anos, era óbvio, pelo menos para ele, que aquela aproximação só podia ter vindo de Sérgio.
Perfeito.
Sérgio realmente era um grande amigo.
De repente, tudo passou a fazer sentido, até a forma impiedosa como o Grupo Hoglay vinha atacando o Grupo Pereira nos últimos dias.
Isabela virou levemente o rosto e lançou um olhar de lado.
— Você tem uma imaginação bem fértil.
Cristiano perdeu o controle.
— Você confia tanto assim no Sérgio? A ponto de engolir qualquer coisa que ele te diga? Ele te entregou, Isabela. E você nem percebeu.
Isabela respondeu sem alterar o tom:
— Ele me entregou? E você?
Cristiano franziu a testa.
— Eu o quê?
Ela sustentou o olhar dele, sem vacilar.
— A família Pereira queria me ver morta.
Cristiano não disse nada.
Querer a morte dela...
Ou entregá-la de vez...
No fim das contas, o que era pior?
Naquele momento, Isabela não tinha a menor intenção de explicar fosse o que fosse.
E também não explicaria.
Afinal... Ele nunca acreditara nela.
Com um puxão seco, ela soltou o pulso da mão dele.
Já ia voltar a subir as escadas quando Bruna apareceu correndo.
— A Taís está ardendo em febre. A gente precisa levar ela pro hospital.
Ela olhou para Cristiano, aflita.
Ao ouvir aquilo, ele voltou os olhos para Isabela quase por instinto.
Mas o rosto dela continuava frio.
Impassível.
Ela seguiu subindo como se não tivesse escutado.
Cristiano travou a mandíbula.
— Acaba com essas restrições. A Taís vai pro hospital.
Mas... Por quê?
Na ligação, ele tinha repreendido Renato sem pensar duas vezes.
Só que agora até ele começou a se fazer essa pergunta.
Por quê?
Sob uma pressão daquelas... Como era possível que Lílian, em vez de piorar, simplesmente tivesse parado de ter crises?
Ao perceber a mudança na expressão de Cristiano, Bruna ficou ainda mais agitada.
— E eu também queria saber o que a polícia está fazendo. Até agora não conseguiu encontrar prova nenhuma de que ela matou aquela criança!
Só de pensar nisso, Bruna quase fervia de raiva.
Porque, se conseguissem provar, Isabela seria presa.
E aí, finalmente, todos eles voltariam a ter paz.
Mas não.
Até agora, nada.
Bruna ficou ainda mais transtornada.
— E eu também não sei de onde ela tirou tanto poder. Isso só pode ser coisa do Sérgio. É ele que está por trás de tudo. Por isso ninguém encontra prova nenhuma. — Ela puxou o ar fundo, mas nem assim conseguiu se acalmar. — E esse Sérgio também... Já sabe que ela está metida com um homem do país Y e, mesmo assim, continua protegendo ela. Ainda espancou a Taís daquele jeito.
Era problema em cima de problema.
Uma coisa atrás da outra.
Bruna já sentia aquilo tudo virando uma obsessão.
Quanto mais pensava, mais revoltada ficava.
No fim, olhou para Cristiano, desesperada.
— E agora? O que a gente faz? A Taís pesa mais de cinquenta quilos. Como é que a gente vai levar ela pro hospital?
Se fosse uma criança, ainda daria para carregar no colo por todo aquele caminho.
Mas Taís... Já era outra história.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...