Nos últimos tempos, eles vinham desconfiando de que algum executivo do Grupo Hoglay estivesse agindo nas sombras contra eles.
Mas agora a situação tinha chegado a um ponto tão grave que Cristiano sequer conseguia ir pessoalmente ao país Y para tentar resolver.
Isso, por si só, já dizia muito sobre o tamanho do problema.
Quanto a saber se tudo vinha mesmo do próprio Yari...
Ninguém tinha certeza.
Extremamente irritado, Cristiano acendeu um cigarro. Deu duas tragadas fundas, uma atrás da outra, e então disse a Samuel:
— Vamos pro Grupo Cardoso.
— Certo.
Grupo Cardoso.
Nos últimos anos, Sérgio havia mantido várias parcerias com o Grupo Hoglay.
Se alguém podia saber alguma coisa sobre aquilo, era ele.
Quando Cristiano chegou ao Grupo Cardoso, já eram cinco da tarde.
Só o trajeto até a casa da família Pereira e a volta tinham consumido um tempo absurdo.
Antes, ele nunca tinha sentido um dia passar tão rápido.
Só agora entendia de verdade.
O tempo, para qualquer pessoa, era precioso demais.
Sérgio, a princípio, não quis recebê-lo.
Mas Cristiano foi direto para o estacionamento subterrâneo e ficou esperando ali, bloqueando a saída.
Assim que Sérgio o viu, sua expressão esfriou na mesma hora.
Cristiano sentiu o peito apertar diante daquele olhar.
Mas, pensando bem, Sérgio sempre tinha sido assim, não?
Mesmo quando ainda existia aquela suposta relação de amigos, ele nunca demonstrou qualquer cordialidade.
Ainda mais agora, depois de tudo o que tinha acontecido por causa de Isabela.
Sérgio enfiou as mãos nos bolsos e falou, frio:
— Achei que, no seu coração, a gente já não tivesse mais motivo nenhum pra se encontrar.
Afinal... Já não existia mais nada entre eles que justificasse aquele encontro.
Ao ouvir isso, Cristiano se sentiu ainda mais sufocado.
— Eu tenho algumas coisas pra te perguntar.
Sérgio apenas lançou um olhar gelado, sem responder.
Cristiano deu um passo à frente.
— O Grupo Hoglay... Por que está me mirando desse jeito?
Sérgio permaneceu em silêncio.
O Grupo Hoglay.
Por quê?
Então, no fim das contas, ele finalmente tinha lembrado de fazer a pergunta certa.
Sem esperar resposta, Cristiano continuou, a urgência transbordando na voz:
— Essa atitude é ótima. Muito boa. Continua assim. Mantém exatamente essa postura... e, daqui a pouco, o Grupo Pereira vai...
Ele fez uma pausa curta.
Ergueu os olhos e encarou Cristiano, cujo olhar já estava tomado por uma frieza perigosa, antes de concluir, palavra por palavra:
— Acabar.
Qualquer pessoa minimamente sensata, ao ouvir algo assim, tentaria descobrir se havia algum fundo de verdade.
Mas a postura de Cristiano, às vezes, era simplesmente decepcionante.
Decepcionante a ponto de irritar.
Sua respiração ficou irregular.
Sérgio perdeu a paciência. Virou-se para ir embora, mas Cristiano o segurou pelo braço por impulso.
— Isso tudo tem a ver com você?
Até aquele momento, ele ainda não sabia ao certo se os ataques do Grupo Hoglay tinham alguma relação com Sérgio.
E foi justamente por isso que tinha ido atrás dele.
Queria esclarecer tudo de uma vez.
Ao ouvir a pergunta, Sérgio virou o rosto e lançou um olhar afiado.
— E você, o que acha?
Cristiano cerrou a mandíbula e insistiu:
— Tem a ver com o que você sente pela Isabela?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...