Cristiano se virou, decidido a ir atrás de Isabela.
Mas, de novo, os homens de Isabela barraram a passagem. Disseram que ela estava descansando depois do almoço e que ninguém tinha autorização para incomodá-la naquela hora.
Cristiano ficou tão furioso que sentiu o peito prestes a explodir.
Ela vivia dizendo que não queria se divorciar.
Mas aquilo era postura de quem realmente queria continuar casada com ele?
Dentro da própria casa, tudo agora estava ocupado por estranhos, todos gente dela.
E ele, o marido, para vê-la, ainda precisava da autorização dela.
Cristiano cerrou os dentes.
— Meu voo é às cinco. Avisem a ela que tenho assuntos para tratar.
O homem à sua frente respondeu no mesmo tom neutro de antes:
— Desculpe, mas, durante o descanso da senhora Isabela, ninguém pode interrompê-la.
Não importava o que Cristiano dissesse.
A resposta dos homens de Isabela era sempre a mesma.
Em outras palavras: se quisesse esperar, que esperasse.
Antes, em Vila Real, era sempre Isabela quem ficava esperando por ele.
E agora?
Agora o jogo tinha virado e com folga.
Cristiano fechou os olhos por um instante, tentando conter a raiva.
— Meu voo é às cinco.
E ainda havia outro problema: o carro nem podia entrar ali. Antes de qualquer coisa, ele ainda teria de sair a pé.
Que situação absurda era aquela?
— Mesmo assim, não podemos fazer nada.
O outro lado continuava inflexível.
Era exatamente como ele próprio tinha sido no passado.
Naquela época, quando Isabela ia falar com ele sobre Lílian, ele também não agia desse jeito?
A raiva de Cristiano já não cabia dentro dele.
Ele chegou a pensar em forçar passagem.
Mas já tinha visto do que aquelas pessoas eram capazes. Se Isabela não quisesse vê-lo, então ele não a veria. Simples assim.
E aquela humilhação, aquela sensação de impotência, de fracasso, só o deixaram ainda mais transtornado.
No fim, ele não conseguiu trocar uma única palavra com Isabela.
Tomado pela fúria, virou-se e desceu as escadas.
Samuel tinha atendido à ligação de Cristiano e ficou esperando na esquina.
Esperou quase quarenta minutos, até que Cristiano finalmente apareceu.
Ao vê-lo naquele estado, Samuel simplesmente não soube o que dizer.
Sinceramente, nunca tinha visto um homem tão humilhado dentro do próprio casamento.
Normalmente, quem saía perdendo era a mulher.
Isso mesmo.
Por quê?
Por que, afinal?
Samuel falou com a voz pesada:
— Acho que, desta vez, o Grupo Pereira está mesmo encrencado.
O tom dele vinha carregado de gravidade.
Mesmo que Cristiano quisesse resolver tudo naquele instante, já não fazia ideia de por onde começar.
Uma aura sombria e feroz parecia envolver seu corpo inteiro.
Encrencado?
Cristiano levantou os olhos.
— Foi o próprio Yari que mandou me bloquear?
Yari.
O herdeiro do Hoglay e, naquele momento, a figura mais poderosa dentro do grupo.
Na prática, sua autoridade já estava acima até do próprio conselho do Grupo Hoglay.
Quando a decisão partia dele, quase nunca precisava da aprovação de ninguém. Não havia necessidade de reunião alguma, ele decidia sozinho.
Samuel baixou os olhos por um instante.
— Isso... Eu não sei.
E realmente não sabia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...