Mas, agora, Isabela estava fria. Impiedosa.
E Taís sabia muito bem que, se se recusasse a lavar tudo aquilo, Isabela seria capaz de deixá-las sem comer até caírem de fome.
Só de pensar nisso, sentiu o corpo inteiro arrepiar.
No fim, não teve escolha a não ser ceder e ir até a pilha de coisas.
— Não se esqueça. — Disse Isabela, fria. — Quero tudo esfregado centímetro por centímetro. E vai ter gente conferindo.
Taís não respondeu.
Ao ouvir aquilo, quase tropeçou de tanta raiva.
Por dentro, xingava Isabela de tudo quanto era nome. Desgraçada, maldita, miserável... Tudo o que lhe vinha à cabeça.
Mas, por fora, já não ousava abrir a boca.
Em dois ou três dias, aprendera a temer Isabela.
Aquela mulher... Era cruel de verdade.
Taís pegou as coisas e se preparou para levá-las ao banheiro, mas uma das empregadas de Isabela a impediu.
— O que foi agora? — Disparou Taís.
A empregada respondeu sem rodeios:
— Isso aí é grande demais. Vai lavar lá fora, na torneira do quintal.
Taís arregalou os olhos.
— Lá fora? Nesse frio? Você quer que eu lave isso do lado de fora?
Aquilo já era demais.
Isabela não estava apenas dificultando as coisas. Estava fazendo aquilo de propósito. Queria torturá-la.
O vento naquele dia estava violentíssimo, e tudo indicava que nevaria à noite.
Ainda assim, Isabela queria que ela carregasse tudo para o quintal e lavasse ali.
Será que tinha enlouquecido de vez?
A empregada lançou um olhar seco.
— Desde quando trabalho pesado vem com conforto? Entenda uma coisa: você está aqui para trabalhar, não para ser tratada como uma senhorita da família Pereira.
O rosto de Taís ficou lívido de raiva.
— Então vocês estão mesmo me tratando como empregada?
A resposta veio na mesma hora:
— E, agora, qual é a diferença?
Taís se calou.
Ao ouvir aquilo, sentiu o sangue ferver, como se fosse explodir dentro dela.
É... Ainda havia alguma diferença?
Se fosse parar para pensar, não havia mais nenhuma.
Taís fechou os olhos por um instante.
Ainda não queria ir lavar aquilo lá fora, mas a mulher à sua frente não demonstrava a menor intenção de sair do caminho.
Que tipo de resguardo era aquele?
Aquilo estava pior do que o pós-parto de muita mulher pobre.
Logo depois do parto, Bruna tinha levado para ela uma porção de suplementos e tônicos, e Lílian ainda tinha torcido o nariz para tudo aquilo.
Agora, porém, queria desesperadamente comer cada uma das coisas que antes desprezava.
No fim das contas, só quando a fome aperta de verdade é que se entende o valor da comida.
Ao perceber que Bruna entrou no quarto e continuou calada o tempo todo, Lílian lançou um olhar para Sabrina.
Sabrina entendeu na mesma hora e assentiu.
— Vou sair primeiro.
— Tá.
Sabrina deixou o quarto.
Quando restaram apenas Lílian e Bruna, Lílian não aguentou e perguntou de imediato:
— Mãe, como foi? Deu certo?
Desde que entrara, o rosto de Bruna não anunciava nada de bom.
Lílian já tinha percebido que as coisas provavelmente não haviam saído como esperavam, mas, mesmo assim, perguntou.
— Nem me fala nisso. — Bruna respondeu, amarga.
Enquanto ninguém tocava no assunto do que ela tinha ido resolver lá fora, Bruna conseguia se conter. Mas bastou Lílian perguntar para a raiva voltar com tudo, incendiando outra vez o peito dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...