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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 407

— E você? Conseguiu falar com os mais velhos da família Cardoso? — Perguntou Taís.

Bruna ficou em silêncio por um instante.

Ao ouvir a pergunta, sentiu o peito apertar ainda mais de ódio.

Que humilhação tinha sido aquela?

— A família Cardoso nem deixou que eu entrasse.

Não só a barraram na porta como ainda mandaram uma empregada dispensá-la. E, para piorar, ela ainda teve de engolir aquelas indiretas atravessadas, duras como tapas.

No fundo, o que queriam dizer era simples: ela não soubera educar Taís.

E, pior ainda, desprezavam a própria Taís.

Era como se, em toda Nova Aurora, só a família Pereira fosse digna de se aproximar da família Cardoso.

Ora, se eles não a queriam, ela podia muito bem arranjar para Taís alguém ainda melhor.

Como se a filha precisasse implorar por aquela família.

Quanto mais pensava, mais Bruna se revoltava com a forma como os Cardoso tratavam os Pereira.

Taís também se sentiu sufocada ao ouvir aquilo.

— Então... Nós duas voltamos de mãos abanando.

Bruna trincou os dentes.

— Vai chegar o dia em que a família Cardoso vai se arrepender.

Na ida e na volta, elas fizeram quase todo o caminho a pé.

Saíram de casa cedo e, quando finalmente voltaram, já passava do meio-dia.

Isabela estava almoçando.

Assim que sentiram o cheiro da comida, Bruna e Taís se sentiram ainda mais miseráveis.

Tinham acabado de voltar da rua.

Depois de horas enfrentando o vento gelado, não restava no corpo delas nem um fiapo de calor.

Naquele momento, tudo o que queriam era comer alguma coisa quente.

Ao ver Isabela à mesa, Bruna foi até lá, arrogante.

— Nós vamos comer.

As palavras saíram espremidas entre os dentes, carregadas de raiva.

Isabela acabara de levar uma colherada de sopa à boca. Ao ouvir aquilo, arqueou levemente a sobrancelha.

— Claro, sem problema. Vamos fazer do jeitinho da sua regra, dona Bruna. Já deixei tudo preparado para vocês.

Regra.

A regra de não sustentar gente inútil dentro de casa.

Tinham sido exatamente essas as palavras que Bruna usara antes contra Isabela.

Ela já vinha engasgada de raiva por causa da humilhação sofrida na casa dos Cardoso. Agora, ouvindo aquilo da boca de Isabela, começou a tremer da cabeça aos pés.

— Está tudo ali.

Bruna seguiu a direção do olhar.

Não muito longe, havia dois cestos enormes. À primeira vista, ela não entendeu o que era. Mas, olhando melhor, viu que estavam cheios de cortinas e tapetes.

Ela puxou o ar com força, o peito subindo e descendo sem controle.

— E o que a gente vai fazer com isso?

Isabela respondeu com a maior naturalidade:

— Cortinas, tapetes... Você não vive falando de limpeza? Antes, quando ainda havia empregados na casa, tudo isso era lavado à mão. Agora que a família precisa cortar gastos, podem lavar com as próprias mãos.

Quem tinha tanta obsessão por limpeza que esfregasse tudo na mão.

Ao ver aqueles dois cestos abarrotados de cortinas, além dos tapetes enrolados, Taís quase desmaiou.

Aquilo dava muito mais trabalho do que esfregar o chão.

Ela trincou os dentes.

— Isso tudo é pesado, são peças grandes. Você quer que a gente lave tudo na mão? Está fazendo isso de propósito, não está?

Isabela ergueu o queixo e apontou com os olhos para um canto.

— E não é só lavar à mão. Estão vendo aquela escovinha? Quero tudo esfregado centímetro por centímetro, até ficar impecável.

Taís ficou sem reação.

Bruna também.

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