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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 400

Mal Renato voltou para a empresa, a assistente já veio avisar que Antônio estava esperando por ele havia um bom tempo.

Renato seguiu direto para o escritório.

Antônio tomava chá, o primeiro chá da safra daquele ano.

Entre todos eles, Renato talvez fosse o que mais passava uma impressão de despreocupado, até pouco confiável à primeira vista.

Mas, curiosamente, nos gostos pessoais, era o mais sossegado de todos.

Assim que o viu entrar, Antônio pousou a xícara.

— Que gosto duvidoso é esse? Tão novo e já com hábito de aposentado.

Renato nem se abalou.

— Você não entenderia.

Por acaso ele era obrigado a compartilhar aquela obsessão por café?

Simplesmente não gostava.

Toda vez que passava no escritório de Antônio ou ia ver Cristiano, era sempre a mesma coisa: café.

Amargo demais, queimado demais.

Chá era muito melhor.

Renato afrouxou a gravata e se largou na cadeira à frente de Antônio.

— Onde você estava? — Perguntou Antônio.

Nos últimos tempos, Renato passava quase todos os dias na empresa ou viajando a trabalho.

Sair no meio do expediente era raro.

Renato acendeu um cigarro.

— Fui ver a Isabela.

Antônio ficou em silêncio por um instante.

Isabela.

Só de ouvir o nome dela, ele já sentiu a cabeça pesar.

— Foi Cris que mandou você ir?

Nos últimos tempos, por causa dos conflitos constantes entre Cristiano e Isabela, os assuntos da empresa já estavam virando uma bagunça.

E, como ainda mantinham algumas parcerias com o Grupo Pereira, acabavam sendo afetados de um jeito ou de outro sempre que Isabela resolvia agir.

Renato tragou o cigarro mais uma vez.

— Sim.

Mas a impaciência na sua voz era evidente.

Antônio perguntou:

— E o que a Isabela disse?

— Que não quer se divorciar.

Antônio se calou.

Se fosse o Cristiano de antes, aquilo sem dúvida teria sido uma ótima notícia.

Mas agora, a posição dele em relação ao divórcio também parecia firme demais.

Antônio soltou uma risada sem humor.

— Esses dois são inacreditáveis. Antes era Cris que não queria se divorciar. Agora é ela.

Os dois tratavam o divórcio como se fosse brincadeira.

Só que, por trás dessa aparente brincadeira, todo mundo enxergava o que realmente existia ali.

Raiva.

Ódio.

Os ataques de Isabela contra o Grupo Pereira já não deixavam espaço para dúvida. Aquilo vinha de um ressentimento profundo.

Principalmente de ontem para hoje.

Porque Renato não era assim.

Então estreitou os olhos, desconfiado.

— Você sabe de alguma coisa que eu não sei, sabe?

Renato ficou em silêncio por um segundo.

Depois falou, em voz baixa:

— O Grupo Pereira... Desta vez, provavelmente não escapa.

Antônio congelou.

No exato instante em que ouviu aquilo, sentiu o coração afundar.

Não escapa?

Como assim...?

— O Sérgio gosta tanto assim da Isabela?

Antônio olhou para Renato, incrédulo.

Renato permaneceu em silêncio por um instante.

Sérgio gostava de Isabela?

Gostava. Disso não havia dúvida.

Mas...

— Se fosse só porque Sérgio gosta dela, as coisas não teriam chegado a esse ponto.

Antônio arregalou os olhos.

— E isso ainda não é o bastante?

Renato levantou o olhar e o encarou, com uma expressão pesada.

— Ainda não chegou ao pior.

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