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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 385

O mingau ainda soltava vapor.

Cristiano não abriu a boca.

Vendo que ele não comia, o sorriso de Isabela se aprofundou.

— O que foi?

Cristiano olhou para a colher de mingau. Depois, ergueu os olhos para Isabela.

Ela continuou, com a voz calma:

— Foi a sua mãe quem lavou tudo com as próprias mãos. Desde a hora em que desci, estou sentada aqui. Vi ela fazer tudo diante dos meus olhos.

Então inclinou levemente a cabeça e acrescentou:

— Mesmo que você não confie em mim... Não vai confiar na sua própria mãe?

Ao pronunciar "sua própria mãe", Isabela suavizou ainda mais o tom.

Mas foi justamente aquela doçura calculada, quase um afago disfarçado, que apertou ainda mais o coração de Bruna.

E Cristiano, claro, percebeu a mudança no rosto dela, a tensão, o pânico que já não conseguia esconder.

Ele lançou um olhar na direção de Bruna.

Discretamente, ela lhe fez sinal para não comer.

Aquele gesto bastou para mudar o semblante de Cristiano na mesma hora.

Ele voltou os olhos para Isabela.

Ao encontrar o sorriso contido no fundo dos olhos dela, teve quase certeza de que Isabela sabia de tudo.

Sabia... E, mesmo assim, estava mandando que ele comesse.

Cristiano perguntou, num tom pesado:

— Você tem certeza de que quer mesmo que eu coma isso?

Isabela sorriu.

— Sua mãe acordou às cinco da manhã para lavar os legumes. Não desperdice todo esse esforço.

Mas, ao dizer aquilo, o olhar dela já tinha esfriado visivelmente.

Cristiano continuou encarando-a em silêncio.

Isabela sustentou o olhar e disse:

— Abra a boca.

Dessa vez, o tom saiu mais duro.

— O quê? A sua vida vale alguma coisa, e a mi

— Chega!

Bruna finalmente explodiu.

Ela tinha entendido.

Isabela sabia. Sabia de tudo.

Sabia... E, mesmo assim, queria fazer o filho dela engolir aquele mingau envenenado. Queria obrigar todos eles a comer.

Aquela desgraçada.

Tomada pela fúria, Bruna varreu a mesa inteira com um golpe do braço.

Pratos, tigelas e talheres se espatifaram no chão.

Em um segundo, o clima na sala de jantar ficou cortante, prestes a explodir.

Depois, voltou os olhos para Isabela.

Isabela ergueu o queixo, e sua voz saiu ainda mais pesada:

— Quem é a monstruosa aqui?

O coração de Bruna martelava no peito.

— Se você não tivesse me encurralado desse jeito, eu nunca teria chegado a esse ponto! A culpa é toda sua! Quem devia sair desta casa era você!

Bruna estava à beira de enlouquecer de raiva.

Os homens de Isabela eram bons demais no que faziam.

Na noite anterior, ela tinha ido até a estufa escondida pela escuridão, sem acender uma única luz.

E, ainda assim, Isabela sabia de tudo.

Naquele instante, Bruna finalmente sentiu de verdade o quanto Isabela era assustadora.

Ela não era apenas alguém difícil de enfrentar.

Era um pesadelo.

Quanto mais se pensava nela, mais arrepios provocava.

Isabela a encarou com frieza.

— Em que momento eu te encurralei? Eu só aprendi direitinho tudo o que você me ensinou. Agora, como dona da família Pereira, estou apenas seguindo à risca as regras que você mesma impôs um dia.

Bruna ficou sem resposta no mesmo instante.

O rosto estava lívido, esverdeado de raiva.

Ela lançou a Isabela um olhar carregado de ódio, mas já não conseguia dizer mais nada.

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