O mingau ainda soltava vapor.
Cristiano não abriu a boca.
Vendo que ele não comia, o sorriso de Isabela se aprofundou.
— O que foi?
Cristiano olhou para a colher de mingau. Depois, ergueu os olhos para Isabela.
Ela continuou, com a voz calma:
— Foi a sua mãe quem lavou tudo com as próprias mãos. Desde a hora em que desci, estou sentada aqui. Vi ela fazer tudo diante dos meus olhos.
Então inclinou levemente a cabeça e acrescentou:
— Mesmo que você não confie em mim... Não vai confiar na sua própria mãe?
Ao pronunciar "sua própria mãe", Isabela suavizou ainda mais o tom.
Mas foi justamente aquela doçura calculada, quase um afago disfarçado, que apertou ainda mais o coração de Bruna.
E Cristiano, claro, percebeu a mudança no rosto dela, a tensão, o pânico que já não conseguia esconder.
Ele lançou um olhar na direção de Bruna.
Discretamente, ela lhe fez sinal para não comer.
Aquele gesto bastou para mudar o semblante de Cristiano na mesma hora.
Ele voltou os olhos para Isabela.
Ao encontrar o sorriso contido no fundo dos olhos dela, teve quase certeza de que Isabela sabia de tudo.
Sabia... E, mesmo assim, estava mandando que ele comesse.
Cristiano perguntou, num tom pesado:
— Você tem certeza de que quer mesmo que eu coma isso?
Isabela sorriu.
— Sua mãe acordou às cinco da manhã para lavar os legumes. Não desperdice todo esse esforço.
Mas, ao dizer aquilo, o olhar dela já tinha esfriado visivelmente.
Cristiano continuou encarando-a em silêncio.
Isabela sustentou o olhar e disse:
— Abra a boca.
Dessa vez, o tom saiu mais duro.
— O quê? A sua vida vale alguma coisa, e a mi
— Chega!
Bruna finalmente explodiu.
Ela tinha entendido.
Isabela sabia. Sabia de tudo.
Sabia... E, mesmo assim, queria fazer o filho dela engolir aquele mingau envenenado. Queria obrigar todos eles a comer.
Aquela desgraçada.
Tomada pela fúria, Bruna varreu a mesa inteira com um golpe do braço.
Pratos, tigelas e talheres se espatifaram no chão.
Em um segundo, o clima na sala de jantar ficou cortante, prestes a explodir.
Depois, voltou os olhos para Isabela.
Isabela ergueu o queixo, e sua voz saiu ainda mais pesada:
— Quem é a monstruosa aqui?
O coração de Bruna martelava no peito.
— Se você não tivesse me encurralado desse jeito, eu nunca teria chegado a esse ponto! A culpa é toda sua! Quem devia sair desta casa era você!
Bruna estava à beira de enlouquecer de raiva.
Os homens de Isabela eram bons demais no que faziam.
Na noite anterior, ela tinha ido até a estufa escondida pela escuridão, sem acender uma única luz.
E, ainda assim, Isabela sabia de tudo.
Naquele instante, Bruna finalmente sentiu de verdade o quanto Isabela era assustadora.
Ela não era apenas alguém difícil de enfrentar.
Era um pesadelo.
Quanto mais se pensava nela, mais arrepios provocava.
Isabela a encarou com frieza.
— Em que momento eu te encurralei? Eu só aprendi direitinho tudo o que você me ensinou. Agora, como dona da família Pereira, estou apenas seguindo à risca as regras que você mesma impôs um dia.
Bruna ficou sem resposta no mesmo instante.
O rosto estava lívido, esverdeado de raiva.
Ela lançou a Isabela um olhar carregado de ódio, mas já não conseguia dizer mais nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...