Isabela já tinha levado uma colherada de mingau, mas, como se de repente tivesse se lembrado de alguma coisa, pousou a colher de volta.
Aquele gesto simples, erguer e largar, fez o coração de Bruna se retorcer como se unhas afiadas o rasgassem por dentro.
"Sua desgraçada... Então come logo.
Se Isabela comesse, tudo estaria resolvido."
Isabela ergueu os olhos para Bruna.
— E você? Não vai comer?
— Eu...
No instante em que Isabela a chamou diretamente, a raiva de Bruna subiu ainda mais.
"Agora essa vadia quer bancar a boazinha.
Tá representando o quê?
Então come, droga."
Sob o olhar sorridente de Isabela, Bruna se aproximou devagar da mesa.
Ela realmente não entendia o que tinha dado naquela mulher para mudar assim, de uma hora para outra.
Mas, ainda que tivesse mudado, de que adiantava agora?
Será que Isabela não percebia tudo o que tinha feito nos últimos dois dias?
Dessa vez, não importava o que dissesse: Bruna não pretendia deixá-la escapar.
Se aquela mulher continuasse viva, ainda levaria uma parte enorme da fortuna da família Pereira.
Só de lembrar que Isabela já tinha ousado exigir o Grupo Pereira inteiro, Bruna sabia que não podia vacilar.
Alguém assim, se continuasse por perto, só traria desgraça.
Por isso, a culpa não era dela.
Se alguém tinha de ser responsabilizado, era a própria Isabela.
Tinham sido as atitudes dela, ao longo daqueles dois dias, que fizeram todos ali enxergar de vez que ela estava longe de ser inofensiva.
E alguém assim, se continuasse vivo, cedo ou tarde acabaria se tornando uma ameaça real para a família Pereira.
No instante em que Bruna se sentou, Taís já ergueu a tigela.
Lílian fez o mesmo.
As duas estavam famintas de verdade.
Diante daquela mesa cheia de comida, sentiram até que ainda era pouco.
De repente, Bruna chamou:
— Taís.
No exato instante em que Taís ia levar o mingau à boca, Bruna a interrompeu.
Taís parou e virou o rosto.
— O que foi, mãe?
Bruna não respondeu.
Limitou-se a lançar um olhar para ela.
Taís franziu a testa, sem entender.
— Come logo também, mãe.
Isabela finalmente tinha mudado de atitude e deixado que elas comessem.
Se perdessem aquela chance, quem podia garantir que, ao meio-dia, ela não surtaria de novo e as faria passar fome outra vez?
Taís não queria suportar aquilo nem por mais um minuto.
Se havia comida, então ela queria comer. E queria comer já.
Taís rebateu na mesma hora:
— Ué, a gente pode comer junto.
A resposta fez Bruna apertar a coxa dela com ainda mais força.
Foi então que Taís finalmente percebeu que havia alguma coisa muito errada.
Quase sem ar, pousou a tigela de volta sobre a mesa.
Então, entrando no jogo de Bruna, ergueu os olhos para Isabela do outro lado da mesa e forçou um sorriso seco.
— Isso... Cunhada. Come você primeiro.
O tom saiu respeitoso demais.
Lílian sempre fora esperta.
Ao perceber a estranheza entre Bruna e Taís, também largou os talheres sem tocar em mais nada.
O sorriso continuava nos lábios de Isabela.
Com toda a calma do mundo, ela tornou a pegar a colher e serviu uma porção de mingau.
Bruna e Taís prenderam a respiração, certas de que, dessa vez, ela finalmente ia comer.
Mas, no instante seguinte, Isabela mudou a direção da mão.
— Come. — Ela levou a colher diretamente até os lábios de Cristiano e disse, num tom manso. — Foi a sua mãe que acordou cedo para lavar os ingredientes. Deve ter dado um trabalhão.
Bruna, Taís e Lílian ficaram petrificadas.
No momento em que viram a colher parada diante da boca de Cristiano, o coração de Bruna praticamente saltou para a garganta.
Cristiano lançou um olhar para Isabela.
Depois, baixou os olhos para o mingau na colher estendida diante dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...