Quer um motivo, é?
Não era exatamente assim que elas agiam, abrindo a boca e inventando na hora qualquer desculpa para acusar alguém de ser capaz de atear fogo?
Pois Isabela também sabia muito bem jogar esse jogo.
Bruna sentiu a vista escurecer de raiva.
Foi então que o celular dela tocou de novo.
Com a mão trêmula, ela atendeu.
— Fala.
Logo em seguida, seu tom mudou completamente.
— O quê? A casa no Condomínio Central Garden também pegou fogo? Mas o que vocês estão fazendo? Pra que é que eu pago vocês?
Bruna explodiu, fora de si.
Mal tinha desligado quando outra ligação entrou.
Depois outra.
E mais outra.
Uma, duas, três, quatro ligações seguidas, todas trazendo a mesma notícia: incêndios.
Alguns imóveis estavam no nome dela.
Outros, no nome de Taís.
Havia até propriedades no nome de Cristiano.
Bruna ficou sem reação.
Naquele instante, teve a nítida sensação de que o céu do seu mundo inteiro estava desabando.
Ela já não tinha cabeça para continuar discutindo com Isabela.
Virou-se na mesma hora e saiu correndo.
Ao olhar para aquelas costas apressadas e vacilantes, Isabela sentiu, enfim, o nó sufocante em seu peito afrouxar um pouco.
Naquele ano, para derrubar uma casa, Bruna não se importou nem com a possibilidade de haver mortes.
Então agora...
Ela destruiria todas as casas dela.
— Wallace.
Isabela o chamou em voz baixa.
— Senhora, pode falar.
— Avise os hotéis e restaurantes lá fora. Ninguém vai atender nenhuma delas.
— Sim, senhora. — Wallace assentiu imediatamente.
Isabela queria cortar todas as rotas de fuga delas.
Aquelas mulheres da mansão da família Pereira, tão convencidas da própria posição, tão certas da própria superioridade...
Ela faria com que ficassem presas ali dentro, encurraladas na própria mansão, sofrendo até não aguentarem mais.
Lílian tinha feito com que ela perdesse o filho que estava esperando.
Bruna tinha causado a morte da mãe dela.
Qualquer uma dessas dívidas, sozinha, já seria imperdoável.
Por isso, Isabela faria as duas perderem toda e qualquer saída.
Ela transformaria a vida delas num inferno sem fim.
No andar de cima, Taís e Lílian encaravam o delivery já revirado pelas pessoas de Isabela, divididas entre a fome e o medo.
Comer ou não?
Mesmo que saíssem de carro do começo ao fim...
Ao ver a hesitação dela, Taís percebeu na hora que tinha falado besteira.
— Me desculpa, cunhada. A culpa é nossa. Tudo isso... Foi culpa nossa.
Ela respirou fundo e já pegou o celular.
— Vou ligar agora pro meu irmão. Ele precisa voltar logo e colocar aquela desgraçada no lugar dela.
Já que Isabela dizia que ainda não estava divorciada e, por isso, tinha o direito de morar na mansão da família Pereira...
Então não havia nada de errado em Cristiano intervir e colocá-la na linha, certo?
Taís mal tinha erguido o celular para ligar para Cristiano quando uma chamada entrou antes.
Ela atendeu.
— Alô.
— Senhorita, sua mansão em Residencial Parque Imperial pegou fogo.
— O quê?
Taís empalideceu de susto.
Residencial Parque Imperial...
Era a mansão que Cristiano tinha dado a Isabela algum tempo atrás.
Depois, a mãe deles retomou o imóvel e o transferiu para Taís.
A mansão estava vazia havia bastante tempo.
Taís até pensava em reformá-la quando tivesse tempo, para então morar lá.
Então como era possível que, de repente, ela tivesse pegado fogo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...